O mais eloquente na definição de Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro como os escolhidos do PL nacional e estadual para concorrer ao Senado por Santa Catarina em outubro não é a fala do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nem os gestos do governador Jorginho Mello (PL) ou a presença silenciosa e aquiescente do presidente nacional da legenda, Valdemar da Costa Neto (PL), na entrevista coletiva realizada no início da noite de quinta-feira em Brasília.
O mais eloquente é um “x”, marcado a caneta, nas anotações de Flávio Bolsonaro sobre as possibilidades de palanque do PL nos Estados. Todo o material foi registrado e publicado com exclusividade pela Folha de S. Paulo e tem repercutido pelos demais veículos nacionais e estaduais por expor de forma esquemática o que já foi definido e questões a decidir em cada Estado.
Reproduzo abaixo como Flávio Bolsonaro resumiu Santa Catarina:

Eu não sei se Caroline de Toni fica tão contrariada quando chamada de “Carolina” quanto Esperidião Amin fica chateado ao ter o nome grafado “Espiridão”. Certamente, o alívio de não ser a dona do “x” marcado a caneta deve atenuar qualquer dissabor por parte dela, ao ver resultado concreto na luta aberta que estabeleceu por sua posição da chapa – inclusive ameaçando a migração para o Novo nessa novela que temos todos acompanhado desde janeiro, quando Valdemar tentou convencer a deputada federal a desistir de concorrer ao Senado em nome da aliança nacional do PL com a federação União Progressista.
Por sua vez, Esperidião Amin não tem atenuantes. Também marcada a caneta na fatia catarinense do mapa estratégico de Flávio Bolsonaro, constava uma “reunião quarta à tarde”. Era o esperado encontro que definiria a chapa Carol/Carol e precederia a manifestação pública de Flávio a essa composição. Foram duas entrevistas. Na primeira, o presidenciável confirmou Caroline de Toni ao lado de Carlos Bolsonaro e fez elogios a Amin, inclusive relevando que conversaram sobre o assunto no plenário do Senado.
– É uma pessoa que sempre foi muito próxima de nós, vota conosco, pensa como a gente também. Mas, na política, é assim que funciona. Lá (em Santa Catarina) o palanque está definido – disse Flávio.
O presidenciável do PL voltou ao tema no início da noite, logo após a reunião da bancada do PL que buscou unificar o discurso do partido em torno da pré-candidatura presidencial. Aos jornalistas, depois do encontro, Flávio repetiu praticamente as mesmas palavras, Caroline de Toni mostrou alívio e entusiasmo ao garantir que fica no PL, enquanto Carlos Bolsonaro não foi questionado.
Jorginho Mello reforçou a decisão, disse também ter conversado com Amin sobre o assunto. Questionado sobre como o senador reagiu, o governador disse que isso precisava ser perguntado ao progressista, mas ressaltou: “ele reagiu como tem que reagir”.
Ainda à ontem à noite, Amin foi entrevistado pela NDTV no Senado e deu pistas sobre a reação com duas indiretas quase diretas. Primeiro, dizendo ter respeito pela posição do PL, mas pontuando uma diferença que alfineta Carlos Bolsonaro, recém-chegado do Rio de Janeiro, onde era vereador desde 2001.
– Eu sou pré-candidato a senador de Santa Catarina, por Santa Catarina e para Santa Catarina.
Sobre as conversas com o pré-candidato a governador do PSD, o prefeito chapecoense João Rodrigues, que tem acontecido, inclusive na véspera, Amin disse que não há pressa de definições, mas encerrou, ao seu estilo:
– A cada ação corresponde uma reação.
O que vai fazer Esperidião Amin após virar “x” na planilha de Flávio Bolsonaro e da majoritária de Jorginho, talvez seja o grande x dessa equação que é a montagem dos palanques eleitorais em Santa Catarina.





