
Quase que um slogan “meu partido é Joinville”, o deputado estadual Fernando Krelling não esconde o desconforto com as decisões do MDB. O parlamentar mostra uma posição forte e se coloca muito mais a favor de um nome de Joinville como protagonista na eleição estadual do que um projeto isolado do seu partido. “Neste momento sou mais Joinville do que o partido”, repete sem medir as palavras.
Krelling vai esperar terminar a “jornada do MDB” pelo Estado (encontros estaduais leia aqui) para inclusive definir seu futuro partidário. O último encontro deve ser em Joinville em março. Ele não se opõem a uma candidatura própria, porém um nome de Joinville precisa ser protagonista na chapa. “Como vou me opor a um projeto que tem Joinville como protagonista na campanha (se referindo a chapa Jorginho-Adriano). Eu defendo junto com as entidades empresariais a campanha para eleger políticos da nossa cidade”, aponta.
Saída do partido é cogitada se caminho nacional por aliança com o PT
Fernando Krelling não descarta sair do partido caso seja forçado a tomar uma decisão que contrarie o que defende. Um caminho sem volta é caso o MDB se alie ao PT para a reeleição do presidente Lula. Uma coligação com o PSD de João Rodrigues não é vista como desvantagem. “É um projeto interessante e que pode ser viável se tiver Joinville em destaque. Não gostaria de virar as costas para o governador Jorginho Mello, mas respeito a decisão do partido”, diz.
Candidato do MDB pode vir de Jaraguá


Ainda é cedo para definições. Embora o ano político tenha começado mais cedo aqui em Santa Catarina, principalmente pela definição do prefeito de Joinville Adriano Silva como candidato a vice de Jorginho Mello, ainda há muita articulação sobre o futuro do MDB. Os dois nomes que podem liderar uma candidatura própria ao governo do Estado são de Jaraguá do Sul. Ou o deputado federal Carlos Chiodini ou o deputado estadual Antídio Lunelli. A decisão por uma decisão solo do MDB coloca a esperança da oposição de uma possibilidade real de uma quarta candidatura levar a disputa para um segundo turno. Hoje o desenho eleitoral estadual está com Jorginho Mello buscando a reeleição, o prefeito de Chapecó João Rodrigues pelo PSD, Gelson Merísio na articulação da esquerda com apoio de Lula e a quarta via poderia vir com o MDB.
Adriano tira férias em silêncio e Rejane já adota postura de prefeita

O prefeito de Joinville Adriano Silva tirou uns dias de férias e viajou com a família para o exterior, mais precisamente para os Estados Unidos. Uma viagem silenciosa e sem alarde. Combinado ao feriado de Carnaval, a ausência do prefeito não chamou tanta atenção tanto que ele retorna hoje à Prefeitura e faz balanço na sua gestão à noite na Associação Empresarial (ACIJ). No entanto, o que ficou claro é o posicionamento mais visível da vice-prefeita Rejane Gambin que tenta mostra a identidade da sua futura gestão.
A imagem mais destacada neste período foi da sempre tensa reunião com o Sindicato dos Servidores Públicos no final da semana passada. A agenda não esperou o retorno do atual prefeito e as negociações já foram lideradas pela futura prefeita. Rejane sentou sozinha na ponta da mesa. Demonstrou assim um gesto de liderança. Frente a frente estavam o grupo secretários municipais (Gestão de Pessoas, Comunicação, Fazenda) e as dirigentes sindicais (direção do sindicato é formada majoritariamente por mulheres).
Assim como a relação com a Câmara de Vereadores, há expectativa sobre a performance de Rejane na relação com o sindicato. Durante todo o mandato de Adriano Silva não houve grandes embates, diferente da relação com greves com os últimos prefeitos. Também estava na mesa o Secretário da Fazenda Fernando Bade, que a partir de abril também assume a Secretaria de Governo na gestão de Rejane Gambin com a saída de Gilberto Leal, pré-candidato a deputado estadual.
Carnaval e política: Quem tem medo da justiça eleitoral?

O carnaval sempre foi palco para a política, seja ela para oportunistas ou como bandeira partidária. Também não é novidade nenhuma que políticos aproveitam a maior festa popular do Brasil para se aproximar do eleitor, como integrantes naturais do povo. Alguns são nativos da própria comunidade. Outros aparecem de quatro em quatro anos. No Rio de Janeiro já tivemos presidente fotografado ao lado de modelo sem calcinha e agora temos presidente “homenageado” em um desfile que ao ser analisado pelo lado técnico foi tão fraco que mereceu o rebaixamento. O episódio da crise ou polêmica, como bem explicou o colega Fred Perillo (leia aqui), ficou clara três vertentes: o apoio dos já convertidos, preocupação dos esquerdistas mais racionais e a brecha para crescimento da oposição.
Quem convive no meio político começa acreditar que tudo não foi obra do acaso. Sem querer fomentar teorias da conspiração, mas já fomentando, é praticamente inimaginável que ninguém do experiente staff do presidente Lula não tenha tido o poder de vetar a “homenagem na Sapucaí” em ano de eleição presidencial. Mas a pergunta é: qual o real objetivo de tamanho despropósito?
Lula é um político experiente, com várias campanhas disputadas e diversos assessores entre os melhores do Brasil – principalmente na área de marketing. É curioso Lula querer desafiar a justiça eleitoral e colocar a candidatura em risco. Eu não duvido.
Em qualquer circunstância foi um risco. Um risco calculado ou um risco que pode colocá-lo como inelegível?
O que saberemos nos próximos dias é qual será a decisão na esfera judicial. Ao que parece ninguém teme a justiça eleitoral.




