Topázio Neto não é mais integrante do PSD. O prefeito de Florianópolis anunciou na manhã desta quinta-feira a desfiliação uma semana após a crise no partido a partir do ultimato feito pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), de que só manteria a pré-candidatura ao governo do Estado se Topázio Neto fosse expulso ou deixasse a legenda.

Na carta, Topázio Neto voltou a defender que a direita deveria estar unida no palanque do governador Jorginho Mello, disse que o PSD é “refém de um projeto sem sentido” e afirmou que a candidatura de João Rodrigues deve ter efeito negativo na disputa de vagas na Câmara dos Deputados. Criticou, ainda, a decisão do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, de lançar candidatura própria do PSD à presidência da República – o governador paranaense Ratinho Junior deve ser o escolhido – em vez de apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O PSD teria reunião da executiva estadual às 18 horas de ontem para debater a expulsão do prefeito. Um pedido de expulsão de Topázio foi protocolado pelo vereador Mauro Zandavalli, de Chapecó, mas o presidente estadual do partido, Eron Giordani, havia sinalizado que um pedido de licença poderia estancar a crise interna. Topázio, no entanto, preferiu a saída definitiva da legenda em que ingressou em 2022, já na condição de prefeito de Florianópolis, como parte do acordo em que o PSD apoiava a candidatura ao governo do Estado do ex-prefeito Gean Loureiro (União Brasil) – de quem ele foi eleito vice-prefeito em 2020.
Topázio conquistou a reeleição em 2024 ainda no primeiro turno, com 58,4% dos votos, com apoio ostensivo do governador Jorginho Mello e do PL. Desde então, vinha trabalhando pela estadualização da aliança. Na noite de ontem, Gilberto Kassab deu fim à essa possibilidade ao garantir para João Rodrigues o endosso da direção nacional à candidatura própria.
Veja a íntegra da carta de Topázio
À Executiva do Diretório Estadual do PSD de Santa Catarina
Através desta carta aberta, encaminho formalmente meu pedido de desfiliação do Partido Social Democrático. Abaixo, minhas razões.
Política para mim é diálogo, gratidão e respeito. Considero a palavra dada o bem mais valioso de um homem público. E tenho repulsa aos que acreditam que política se faz com truculência, intimidação e socos na mesa. Nos últimos dias, integrantes do meu partido decidiram agir dessa forma comigo, como retaliação às posições que defendo.
Como é de conhecimento geral, o Presidente Estadual do PSD de Santa Catarina, em conluio com o Prefeito de Chapecó, passou a exigir minha expulsão imediata do partido. Ainda que perplexo, considero essa grotesca encenação uma medalha: eu sei quem sou, e sei também a forma que eles costumam fazer política.
Recuso o silêncio que tentam me impor por discordar de uma candidatura do partido ao Governo do Estado. Apesar das ameaças pessoais, não me intimido e nem me omito. Como dirigente do PSD, não posso deixar de alertar sobre os danos devastadores que essa decisão poderá causar às chances de vitória dos nossos candidatos a deputado e deputada na próxima eleição.
Ao se tornar candidato de si mesmo, o prefeito de Chapecó transformou seus companheiros de partido em reféns de um projeto sem sentido, escancarando o que tantos comentam em voz baixa: seu ego, vaidade e sua sede de poder valem mais que o bem coletivo. É a isso que me oponho de forma convicta, porém respeitosa e civilizada.
Por justiça, dou ao Prefeito de Chapecó o direito à ignorância sobre minhas intenções. É possível que não tenha conseguido compreender as razões que me levaram a propor um caminho alternativo às suas desconexas e inconsequentes atitudes.
Há dois anos, defendo, de forma pública e transparente, o que acredito ser o melhor projeto para o bem de Santa Catarina: o apoio à reeleição do Governador Jorginho Mello. Esta decisão compartilhei, desde o primeiro minuto, com o Presidente Gilberto Kassab e o Deputado Júlio Garcia. De ambos, recebi compreensão, respaldo e anuência.
É de conhecimento de todos que essa parceria harmoniosa entre o PL e o PSD nasceu durante a minha vitoriosa eleição a Prefeito de Florianópolis, em 2024. Portanto, muito anterior a qualquer manifestação de uma pré-candidatura do PSD ao governo do estado. Por isso, repudio o rótulo de traidor que tentam, de forma covarde, me imputar.
Apoio o Governador Jorginho por que provou que é um gestor competente e um trabalhador obstinado. Seu governo é transformador e, seguramente, o maior parceiro das prefeituras na história de Santa Catarina. São investimentos gigantescos e milhares de obras espalhadas por todos os 295 municípios do estado, sem qualquer discriminação, seja ideologica ou política. Por que não ter a humildade e reconhecer quem está trabalhando direito?
Por isso, cabe a pergunta: em nome do quê alguém propõe trocar um governo cuja gestão é a mais bem avaliada do país, com mais de 75% de aprovação popular? Aliás, qual projeto de estado o prefeito apresentou até o momento? A mim, nenhum. O que propõe de forma planejada e aprofundada? Desconheço. Além de bravatas, só ouço o seu silêncio sobre os temas que, verdadeiramente, interessam ao povo catarinense.
Minha decisão de desfiliação traz ainda uma outra razão fundamental: a forte indicação que o PSD não irá apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro a Presidente da República. Nesse momento em que as forças de direita no Brasil deveriam se unir em torno de um nome sólido e viável, o PSD vai na direção contrária ao que deseja o eleitor catarinense.
Para finalizar, reafirmo que sou de construir pontes e aproximar pessoas. Por isso, jamais me perdoaria se uma decisão minha causasse qualquer desarmonia dentro do meu partido, ainda que alinhada com nossas principais lideranças. Diante disso, reitero meu pedido de desligamento imediato dos quadros do PSD.
Que Deus abençoe Santa Catarina.
Florianópolis, 19 de março de 2026.
Topázio Silveira Neto
Prefeito da capital dos catarinenses





