A possibilidade de surpresa sobre o resultado do almoço que reuniu dirigentes e lideranças de PSD, MDB e da federação União Progressista desfez-se logo que imprensa começou a chegar no pequeno auditório da sede do União Brasil em Santa Catarina. Antes mesmo de João Rodrigues (PSD), Esperidião Amin (PP), Carlos Chiodini (MDB) e Fábio Schiochet (União Brasil) encontrarem o jornalistas, o cenário já estava montado com banners que alinhavam as três legendas.

Ao abrir-se a porta que separava os políticos dos jornalistas, o quarteto vinha acompanhado de dois ex-governadores – Raimundo Colombo (PSD) e Eduardo Pinho Moreira (MDB) –, do deputado estadual Júlio Garcia (PSD) e dos ex-prefeitos Gean Loureiro (Florianópolis) e Clenilton Pereira (Araquari), ambos do União Brasil. A mensagem era clara antes mesmo que a primeira palavra fosse dita: a inédita aliança estadual entre Amin e o MDB, dando suporte à pré-candidatura de João Rodrigues ao governo, estava encaminhada.
Nas falas, o tom era o mesmo. Os herdeiros da tradição política do Estado se reúnem, superando rivalidades históricas no caso de emedebistas e progressistas, para oferecer ao eleitor catarinense uma alternativa à reeleição do governador Jorginho Mello (PL) e à frente de esquerda que deve ser liderada pelo ex-deputado estadual Gelson Merisio.
O tom de João Rodrigues não era diferente daquele apresentado na entrevista coletiva em que anunciou a manutenção da pré-candidatura ao governo, mas o peso político era outro. O pessedista estava entre os presidentes estaduais do MDB e do PP, Chiodini e Amin, garantindo uma aliança que pode lhe dar tempo no horário eleitoral semelhante ao do bloco governista.
Schiochet respaldou o processo, empoderado pela decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que aprovou a federação entre União Brasil e Progressistas. Agora, a instância decisória sobre a coligação é o acordo entre Amin e Schiochet, respaldados pelos presidentes nacionais Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União Brasil).
Isso não encerra as questões. Na véspera, os progressistas que defendem o apoio à reeleição de Jorginho Mello reuniram 41 dos 52 prefeitos da legenda em um evento liderado pelos deputados estaduais Pepê Collaço e Zé Milton Scheffer. Movimento semelhante está sendo urdido entre os emedebistas, com o deputado federal Valdir Cobalchini e os deputados estaduais Fernando Krelling e Jerry Comper.
No caso do PP, a formalização da federação limita os movimentos dos opositores dessa nova versão, agora oposicionista, da tríplice aliança. No MDB, no entanto, a tese do apoio a Jorginho pode ser levada até a convenção em partido, em março. Importante ressaltar, claro, que entre os emedebistas a consulta as bases em reuniões regionais têm mostrado um rancor maior com a exclusão da legenda da chapa governista.
Em sua fala, Amin disse que focaria sua energia a partir de agora em convencer as bases progressistas a seguir o caminho que ele aponta – apoio ao PSD, que lhe ofereceu a condição de candidato único ao Senado e possibilidade de ter um primeiro suplente do MDB, amarrando o destino dos ex-adversários. Não será fácil, como não foi fácil em 2022, quando parte dos prefeitos do partido optou pelo então governador Carlos Moisés em vez do próprio Amin como candidato ao governo.
O almoço desta quinta-feira não foi protocolar. Diversas pontas soltas foram sendo amarradas entre uma garfada e outra. Ao final, prevaleceu uma fala do ex-governador Raimundo Colombo de que aquele grupo político não poderia deixar que Jorginho fosse reeleito por WO. Prevaleceu também o entendimento de que quaisquer dúvidas sobre a pré-candidatura de João Rodrigues deveria ser encerradas hoje, enquanto ainda há tempo de tranquilizar e até mesmo filiar pré-candidatos a deputado estadual e federal nas legendas aliadas.
O próximo passo de João Rodrigues, Amin e Chiodini é conquistarem suas militância para o projeto. Enquanto isso, o governador continuará tentando trazer os CPFs das lideranças cujos CNPJs não conseguir conquistar. É do jogo. Raimundo Colombo fez isso com o PP em 2014 e Esperidião Amin com o PSDB em 2002. Um foi reeleito, outro não.
Se confirmada nas convenções a chapa João Rodrigues/Chiodini, com Amin ao Senado, será uma reação clara da política à opção de Jorginho por uma chapa mais ideológica, com Adriano Silva (Novo) de vice e a dupla Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro ao Senado. Ficamos à espera do bloco da esquerda, Merisio e Décio Lima (PT) à frente, para compor o cenário.
Jorginho é muito favorito, mas tem um jogo para ser jogado. O WO, por enquanto, perdeu.





