2 de fevereiro de 2026

Jorginho fez do Republicanos um “PL do B” atraindo aliados que não cabem no bolsonarismo

A filiação da prefeita de Lages, Carmen Zanotto, ao Republicanos, oficializada nesta segunda-feira com a bênção do governador Jorginho Mello (PL), consolida uma jogada relevante na engenharia política da reeleição. Ao empurrar quadros de peso para a legenda comandada pelo deputado federal Jorge Goetten, Jorginho constrói um “PL do B” — um partido robusto o suficiente para agregar tempo de televisão e capilaridade, mas dócil o bastante para não exigir espaço na chapa majoritária.

Novo Republicanos do PL vai para 2026 com Geovânia de Sá e Lucas Neves. Foto: Sol Urrutia.
Novo Republicanos do PL vai para 2026 com Geovânia de Sá e Lucas Neves. Foto: Sol Urrutia.

Carmen Zanotto, que construiu sua carreira no Cidadania (antigo PPS) como um “bloco do eu sozinho”, agora será protagonista de um partido que em 2022 elegeu uma bancada federal expressiva em termos nacionais, mas sem representantes em Santa Catarina. É lá que Jorginho injeta lideranças que não cabem no figurino do PL, como o próprio Goetten – eleito com o emblemático 2222 na eleição passada, mas que nunca aceitou ter o mandato tutelado por comentários de Instagram.

Nessa estratégia, iniciada em 2024, ele garante um tempo de propaganda eleitoral comparável ao dos tradicionais MDB e PSD. É o melhor dos mundos: Jorginho garante esse tempo precioso na coligação sem precisar entregar a vaga de vice (já prometida a Adriano Silva, do Novo) ou as de Senado (reservadas a Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do PL).

O movimento não é isolado. Além de Carmen, o Republicanos está absorvendo nomes como a deputada federal Geovânia de Sá (PSDB) e o deputado estadual Lucas Neves (Podemos), que migram para a legenda em março, na abertura da janela partidária, mas que já estavam presentes no evento. São lideranças que não encontram espaço no PL “puro-sangue” por matemática eleitoral ou que buscam um perfil menos radicalizado.

O Republicanos, que em 2022 serviu de abrigo para o então governador Carlos Moisés na tentativa frustrada de reeleição, agora se reinventa como o braço auxiliar de luxo do bolsonarismo catarinense – com a bênção do pragmático deputado federal Marcos Pereira, presidente nacional da legenda, que também veio a Florianópolis para a filiação de Carmen Zanotto.

Para o MDB de Carlos Chiodini e a federação União Progressista de Esperidião Amin, o recado é duro. Jorginho montou uma estrutura que garante com PL e Republicanos a possibilidade de prescindir do apoio dessas legendas tradicionais para ter viabilidade de campanha. Se quiserem estar no palanque, terão que aceitar o papel de coadjuvantes, sem as garantias de espaço na chapa principal que tanto cobravam.

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