08/04/2026

Com filiações, PL redesenha o perfil partidário das bancadas evangélicas em SC

O deputado federal Ismael dos Santos conseguiu uma espécie de batismo ao assinar a ficha no PL na companhia do governador Jorginho Mello, do presidenciável Flavio Bolsonaro e do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto. A chegada do parlamentar ao partido, mesmo com resistência por parte de lideranças ligadas à ala mais ideológica, consolida um movimento que reuniu no partido de Jair Bolsonaro quatro dos seis parlamentares ligados a igrejas evangélicas eleitos em 2022 em Santa Catarina.

O batismo de Ismael dos Santos no PL, com direito à presença de Jorginho, Valdemar e Flavio Bolsonaro. Foto: Divulgação.

O movimento de Ismael dos Santos tem vários aspectos e uma dose de pragmatismo, mas não é um gesto isolado. Na Assembleia Legislativa, outros três parlamentares fizeram movimento semelhante. Os deputados estaduais Marcos da Rosa e Junior Cardoso, ligados à Assembleia de Deus com Ismael, deixaram União Brasil e PRD, assim como Jair Miotto, da Igreja do Evangelho Quadrangular, também trocou o União Brasil pelo PL.

Coube ao Republicanos, satélite do governador Jorginho Mello em nível estadual e de Jair Bolsonaro em nível nacional, ficar com os outros dois parlamentares ligados a igrejas evangélicas: a deputada federal Geovânia de Sá (ex-PSDB), da Assembleia de Deus, e o deputado estadual Sérgio Motta, da Igreja Universal – o único dos eleitos em 2022 que não trocou de partido para a disputa deste ano.

É uma evidente mudança de estratégia eleitoral. Com o eleitorado evangélica ligado majoritariamente ao bolsonarismo, estar fora do partido de Jair Bolsonaro e, agora, do filho presidenciável Flávio Bolsonaro, é ter que dar explicações desnecessárias ao próprio eleitor.

Nas calculadoras do quociente eleitoral, talvez o PL não fosse a melhor opção para Marcos da Rosa e Junior Cardoso, que fizeram votações em torno de 25 mil e 14 mil votos, respectivamente, e que vão precisar avançar ao patamar dos 35 mil para manterem as cadeiras. Apostam, no entanto, que a legenda 22 pode ser esse combustível junto ao próprio eleitorado.

Também faz parte desse processo o esvaziamento das pequenas legendas eleição após eleição, graças à cláusula de barreira que exige votações mínimas em plano nacional para que o partido tenha visibilidade e recursos, e do fim das coligações nas eleições proporcionais. Antigos desaguadouros naturais como o PSC, o PTB e o Democratas hoje não existem mais. O Republicanos se antecipou ao movimento abrindo o leque, antes limitado pela ligação histórica com a Igreja Universal.

Como ficaram as bancadas evangélicas de SC

Deputados federais

Ismael dos Santos (Assembleia de Deus)- do PSD para o PL
Geovânia de Sá (Assembleia de Deus) – do PSDB para o Republicanos

Deputados estaduais

Sérgio Motta (Igreja Universal) – Republicanos
Jair Miotto (Igreja Quadrangular) – do União Brasil para o PL
Marcos da Rosa (Assembleia de Deus) – do União Brasil para o PL
Junior Cardoso (Assembleia de Deus) – do PRD (ex-PTB) para o PL

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