
Aniversário do MDB aponta para um presente perto de Amin e longe de Jorginho

O MDB de Santa Catarina comemorou seus 60 anos em uma bela cerimônia na Assembleia Legislativa na noite de segunda-feira com carinho pelo passado, atenção para o presente e incerteza sobre o futuro. Isso pode ser representado pelo próprio cenário que se montou no plenário do parlamento estadual.
O passado era representado por lideranças que construíram o partido, exerceram mandatos, e que tinham a presença festejada por todos. Desde os ex-senadores Neuto de Conto, Dirceu Carneiro e Nelson Wedekin, estes dois eleitos pelo partido em dobradinha em 1986, até ex-deputados como João Mattos, Rogério Peninha, Édison Andrino, Romildo Titon, Ada de Luca, Edinho Bez, Mauro Mariani, Aluizio Piazza, Ronaldo Benedet, Odilon Salmória.
Peço, desde já, desculpas se não vi, não reconheci ou não conhecia alguma lideranças que merecia ser citada. É muita história.
O presente, por sua vez, estava escancarado na composição da mesa que comandou a sessão especial. Era a nova aliança de que vai participar o MDB nas eleições deste ano. Nela representavam os emedebistas o presidente estadual do partido e deputado federal, Carlos Chiodini, o deputado estadual Mauro de Nadal, o ex-governador Eduardo Pinho Moreira e a ex-deputada estadual Dirce Heiderscheidt.
Júlio Garcia, presidente da Alesc, e o ex-governador Raimundo Colombo representavam o PSD. Nos últimos sucessos eleitorais de ambos os partidos em nível estadual, eles estavam juntos. Fechando essa nova versão da tríplice aliança, construída mais na exclusão do que na articulação, estava aquele que até pouco tempo era o adversários de todos os emedebistas que participavam da homenagem: o senador Esperidião Amin (PP).

Aquele que era inimigo, apresentou-se como um adversário cordial e nostálgico das grandes batalhas travadas. Falou em buscar convergência – que denominou como “irmã da aliança” – em busca de objetivos republicanos. Acertou o tom, ganhou aplausos, permaneceu até o final. À vontade entre os emedebistas, os emedebistas à vontade com ele.
Amin encerrou o discurso clamando que a chama símbolo do MDB continue sendo levada pelos emedebistas, “porque ela não queima, ela ilumina”. Ficou a sensação de que Amin só descobriu isso quando chegou perto da chama.
Naquela mesa, a atenção para presente que citei na abertura do texto, todos eram favoráveis a aliança entre MDB, PP e PSD em torno da pré-candidatura ao governo de João Rodrigues (PSD). Ausência percebida, mas pouco citada.
Isso porque havia uma ausência muito eloquente. Quem viu o MDB reunir 5 mil pessoas em Balneário Camboriú no final de outubro do ano passado para festejar uma pré-aliança com Jorginho Mello, presente no palco, jamais conseguiria imaginar que o governador estaria ausente da celebração do aniversário do partido sete meses depois.
Perguntei a muita gente que não soube confirmar se houve o convite formal a Jorginho para que estivesse lá. Seria natural, considerando as velhas parceria com o MDB de Luiz Henrique e que culminou em sua chegada ao Senado, filiado ao antigo PR, mas com o apoio formal do MDB da suplente Ivete da Silveira.
Não ser convidado e decidir não ir são condições completamente diferentes. Mas estava claro que o ambiente criado não era para receber o atual governador.
E aí entra o último trecho deste texto: a incerteza sobre o futuro. Ela se manifestava na presença dos seis deputados estaduais e três deputados federais do partido – apenas a senadora Ivete não compareceu. Estavam lá os dois grupos: Carlos Chiodini e Rafael Pezenti, Mauro de Nadal, Tiago Zili e Volnei Weber, os defensores da aliança com PSD e PP; Valdir Cobalchini, Jerry Comper e Fernando Krelling, líderes do grupo que quer continuar com Jorginho mesmo fora da majoritária.
Não listei Antidio Lunelli em um grupo ou outro porque é bom perguntar a cada dia.
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O evento de ontem, o aniversário de 60 anos do MDB, solidificou a ideia de uma aliança antes dada como improvável. Nos bastidores, o deputado estadual Volnei Weber e o ex-deputado federal Rogério Peninha eram citados como possíveis suplentes de Amin. E gostavam da citação.
Parece ser esse o caminho que será trilhado pelos emedebistas até agosto, quando as convenções partidárias oficializam os times eleitorais de 2026. É o que parece, é o que deve ser.
Só não cravo porque cravei em outubro, impressionado pelo evento, que Chiodini seria vice de Jorginho.
Há sempre margem para alguma coisa em política.





