09/02/2026

Ciro Nogueira: pivô de veto de Valdemar da Costa Neto a Caroline de Toni se encontra com Lula

Essa é daquelas notícias que surpreendem, mas não espantam: no final da semana passada, a Folha de S. Paulo revelou, sem desmentidos, que o presidente nacional do PP e senador Ciro Nogueira (PP-PI), teve uma reunião discreta com o presidente Lula (PT). Na pauta, a possibilidade de que o líder petista facilite sua reeleição ao Senado pelo Piauí em troca da neutralidade da federação União Progressista (União Brasil e Progressistas) na eleição presidencial.

Ciro Nogueira olha para Flávio Bolsonaro, mas pisca para Lula
Ciro Nogueira olha para Flávio Bolsonaro, mas pisca para Lula. Ilustração: Gemini.

Surpreende, mas não espanta. Ciro Nogueira é um dos chefetes do tão falado e tão pouco denominado Centrão, o grupo amorfo de partidos que adere a qualquer governo em nome de cargos federais e nacos do orçamento público. Foi ministro de Jair Bolsonaro (PL), cuidando da articulações política, mas também foi o dirigente responsável por colocar o conservador PP na chapa presidencial de Dilma Rousseff (PT) em 2014 – a revelia de diretórios como o de Santa Catarina.

A capacidade de Ciro Nogueira em ouvir qualquer proposta e fazer o melhor jogo para si mesmo não surpreende e nem espanta. O que chama atenção aqui em terra catarinense, no entanto, é que foi para cumprir um acordo firmado com o senador do Piauí, em torno de uma possível aliança da União Progressista com o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, ofereceu a cabeça de Caroline de Toni (PL) como pré-candidata a senadora em Santa Catarina. Nas contas do PP nacional, a reeleição de Esperidião Amin ao Senado é uma das contrapartidas.

Ou seja, a semana começou com Caroline de Toni buscando uma alternativa fora do PL depois de ouvir do principal dirigente nacional do partido que um acordo com Ciro Nogueira impedia sua pré-candidatura ao Senado. Quase ao mesmo tempo, o mesmo Ciro Nogueira aceitava um encontro que qualquer bolsonarista julgara inaceitável – e eu estou falando apenas do encontro, nem é da proposta em si.

Curiosamente, neste domingo, Ciro Nogueira concedeu entrevista ao SBT News com frases cheia de entrelinhas e meias palavras direcionadas a bons entendedores. Separei algumas:

Não sou inimigo do presidente Lula. Acho que ele foi um grande presidente nas primeiras gestões, mas não voltou da forma que o brasileiro tinha de expectativa.”

“A gente tem dois Lulas. Um dos primeiros mandatos que veio unificar o país e enfrentar o maior problema da minha região que é a fome e miséria. E o Lula que voltou muito ressentido. Não foi um Lula que veio para unificar o Brasil.”

E tem a frase que mais me chamou atenção, sobre o apoio do União Progressista a Flávio Bolsonaro – com condicionantes.

Muito mais importante e vai ser definitivo é como vai ser a campanha do Flávio Bolsonaro. Se ele vier apenas para defender um legado, para falar para sua bolha, não unificar, não falar para maioria, não vai contar com nosso apoio.”

Não surpreende, nem espanta. Surpreende e espanta é que o PL nacional cogite definir alguma coisa em Santa Catarina, especialmente sobre uma liderança emergente como Caroline de Toni, por causa de Ciro Nogueira.

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