O PL do governador Jorginho Mello quer aproveitar a vinda do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Santa Catarina no próximo dia 27 para deflagrar sua maior expectativa para a campanha eleitoral catarinense: a terceira Onda Bolsonaro no Estado. Para isso, a ideia é lotar um conhecido espaço de eventos em Jurerê, em Florianópolis, com lideranças e militantes bolsonaristas em um grande ato pré-eleitoral.

Jorginho Mello foi beneficiário indireto e direto das ondas eleitorais geradas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições catarinenses de 2018 e 2022. Na primeira, Bolsonaro estava filiado ao PSL (hoje extinto) e Jorginho ao então PR, rebatizado como PL no ano seguinte às eleições.
A popularidade do então candidato a presidente no Estado potencializou a legenda 17, elegendo Carlos Moisés governador, quatro deputados federais e seis deputados estaduais. O erro de estratégica de Lucas Esmeraldino, que se lançou como candidato único ao Senado pelo partido em uma disputa de dois votos, foi fundamental para que Jorginho conquistasse uma vaga de senador alicerçada no apoio do MDB (que não lançou candidato para apoiá-lo) e no sabor Bolsonaro que conseguiu aplicar à candidatura através do discurso e da postura.
Em 2022, já senador, Jorginho não precisou de subterfúgios. Jair Bolsonaro, presidente da República, escolheu o PL para filiação. Com os partidos tradicionais dispersos em outras candidaturas – e negando os convites de apoio feitos por Jorginho – o 22 virou um 17 a motor. O PL elegeu Jorginho governador, Jorge Seif senador, conquistou seis cadeiras catarinenses na Câmara dos Deputados e elegeu 11 deputados estaduais.
Ao longo de seu governo e especialmente desde o ano passado, Jorginho Mello ensaiou um retorno a tradição política do Estado, trazendo MDB e Progressistas como parceiros e mandando sinais para o PSD. Ao final, no entanto, definiu uma chapa quase puro sangue, com Adriano Silva (Novo) de vice e o PL indicando a deputada federal Caroline de Toni e o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro como pré-candidato ao Senado.
Essa chapa estará diretamente vinculada aos efeitos da uma terceira onda Bolsonaro, que dessa vez precisa atender pelo nome de Flávio, ja que Jair está preso após condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) no processo que ficou conhecido como trama golpista. Flávio Bolsonaro tem conseguido vencer as resistências iniciais dos partidos do consórcio informal Centrão a sua candidatura e se estabelecido nas pesquisas como a única alternativa à candidatura do presidente Lula (PT) à reeleição. Isso é música para os ouvidos de Jorginho.
A aposta do governador, ao abrir mão de MDB e Progressistas na chapa, é que mesmo a eventual perda de horário eleitoral para a pré-candidatura de João Rodrigues (PSD) não será empecilho para a formação da terceira Onda Bolsonaro.
Em 2018, o PSL era um partido improvisado em Santa Catarina e conquistou o governo. Em 2022, os principais nomes eleitos pela primeira onda se juntaram a um partido que vinha sendo estrutura por Jorginho ao longo de uma décadas. Não só elegeu o governador, como aumentou as bancadas. Na terceira onda, se vier, tudo isso estará também potencializado pelo peso da máquina do governo e das marcas da gestão.
Com isso, Jorginho espera que as urnas garantam não apenas a vitória da chapa majoritária completa, mas também a eleição de 14 deputados estaduais pelo PL, 5 pelo Republicanos, 2 pelo Podemos e 2 pelo Novo – garantindo, na urna, a maioria na Assembleia Legislativa que neste mandato teve que ser conquistada na caneta e em sorrisos amarelos.
Esse movimento começa a ser deflagrado com a visita de Flávio Bolsonaro. Os destinos estão ligados. A polarização nacional é a grande aposta. A diferença maior em relação a 2018 e em 2022 é que, desta vez, os adversários não serão surpreendidos pela onda, como na primeira, nem a desdenharão, como na segunda.






