Naquela que talvez venha sido a mais confusa e tumultuada disputa pela Reitoria em toda a história da UFSC, foi concluída na sexta-feira – uma semana depois data oficial – a votação e apuração do primeiro turno da consulta à comunidade universitária. Das três chapas inscritas no pleito, marcado por um racha nos grupos mais à esquerda e pela composição de antigos adversários, ficou definido que o Amir de Oliveira Junior, vice-diretor do Centro de Tecnologia, vai enfrentar o atual reitor, Irineu de Souza, no segundo turno.

A eleição para reitor da UFSC é uma consulta informal tradicionalmente referendada pelo Conselho Universitário (CUn), que monta a lista tríplice oficial baseado no resultado dos votos paritários de professores, estudantes e servidores técnico-administrativos – no voto ponderado, cada categoria tem o mesmo peso no resultado final. A definição da escolha é do presidente da República, mas sempre foi respeitada essa liturgia informal – até mesmo quando Jair Bolsonaro referendou Irineu de Souza, que representava o grupo mais à esquerda do campus.
Essa divisão entre as categorias mostrou dificuldades do atual reitor no voto de professores e estudantes. Ele só conquistou uma vaga no segundo turno, na segunda posição, pela ampla maioria conquistada junto aos servidores. Com isso, a reta final da eleição será marcada pela conquista do votos do terceiro colocado, João Luiz Martins, ex-diretor do campus de Blumenau, líder do grupo que venceu a disputa de 2022 com Irineu, mas que rompeu publicamente com o reitor com críticas à gestão e ao estilo do atual reitor.
Amir de Oliveira Junior, por sua vez, conseguiu conjugar grupos políticos da UFSC que foram adversários em diversas disputas recentes e que estavam representadas em 2022 pelas candidaturas de Edson de Pieri e Cátia Carvalho Pinto – derrotada por Irineu no segundo turno. Naquele confronto, Cátia ficou à frente entre os professores, mas perdeu por larga vantagem entre servidores e estudantes.
Desta vez, no entanto, os resultados mostram que os quatro anos de gestão desgastaram Irineu também entre os estudantes. O resultado preliminar divulgado na noite de sexta-feira pela Comissão Eleitoral Representativa das Entidades da Universidade Federal de Santa Catarina (ComeleUFSC) deixa isso eloquente.

Um combustível extra para a reta final da disputa certamente será o tumultuado processo que marcou a votação e de apuração dos votos no primeiro turno das eleições. As listas de estudantes aptos a votar no campus de Blumenau traziam nomes que que já haviam deixado a instituição e excluíam alunos com matrículas regulares. Justamente no campus que foi comandado pelo candidato João Luiz Martins.
Com o impasse, o ComeleUFSC decidiu divulgar a apuração parcial, em os números de Blumenau e marcar para ontem a votação a apuração apenas no campus da Vale do Itajaí. A situação gerou uma situação inusitada, porque Amir Oliveira já estava garantido no segundo turno, mas dependeria havia chance matemática de que Irineu perdesse o posto.
Ao final, mesmo recebendo apenas quatro votos os estudantes de Blumenau (contra 218 de Martins e 26 de Oliveira), Irineu de Souza garantiu a vaga no segundo turno e a chance de permanecer mais quatro anos à frente da Reitoria da UFSC. Para isso, precisa recuperar espaço entre os estudantes, apostando nos votos à esquerda que no primeiro turno ficaram João Luiz Martins.
Por sua vez, Amir Oliveira foca sua estratégia nas críticas à gestão de Irineu e aposta na influência do grupo historicamente ligado ao ex-reitor Luiz Carlos Cancellier, morto em 2017, para chegar a parte da esquerda do campus. No primeiro turno, Oliveira recebeu apoio dos ex-reitores Bruno Schlemper, Antônio Diomário de Queiróz, Ubaldo Balthazar e do ex-vice-reitor Ariovaldo Bolzan, além das famílias de Cancellier e do ex-reitor Rodolfo Pinto da Luz, morto em 2025.





