O novo momento do MDB catarinense, após ser preterido pelo governador Jorginho Mello (PL) para a vaga de candidato a vice-governador, obrigou a sigla a promover um reencontro com um movimento que sempre foi uma marca do partido: ouvir as bases em encontros por todo o estado.

A partir do próximo dia 18 o diretório estadual promoverá 15 eventos regionais e um encontro estadual da JMDB para ouvir, discutir e definir seu futuro. O presidente estadual Carlos Chiodini também se reunirá ainda nesta semana com a direção nacional. Na pauta: o atual cenário e as possibilidades na mesa.
O manda brasa tem quatro caminhos possíveis: a candidatura própria; o apoio ao prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD); a aliança com o projeto de Gelson Merisio (Solidariedade); ou ficar com Jorginho sem espaço na majoritária.
Para cada possibilidade os emedebistas precisarão vencer resistências internas. Um dos maiores partidos de Santa Catarina possuí diversas alas inclusive no campo ideológico. A velha guarda, por exemplo, capitaneada por dois ex-governadores, Eduardo Moreira e Paulo Afonso, circula melhor junto aos partidos de centro e centro esquerda, sem descartar o projeto de João Rodrigues.
Uma candidatura própria poderia soar com um projeto coerente, afinal os emedebistas possuem militância e lideranças por todo o estado. Historicamente a marca do 15 tem base eleitoral. Porém, sozinho o MDB terá menor tempo de TV e o passado recente já avisou que musculatura e estrutura não definem eleição em solo catarinense. E a pergunta mais importante: Quem seria o candidato?
Entre os cotados estão Antídio Lunelli e o próprio presidente estadual Carlos Chiodini.
A hipótese de candidatura própria passa também pelo apoio da direção nacional ao projeto. O assunto estará na mesa da reunião de Chiodini com o presidente nacional Baleia Rossi.
Seguir com Jorginho Mello naturalmente é desejo de uma ala importante do partido. Com espaços e projetos em andamento no governo, a orientação partidária de deixar os cargos certamente não deverá ser atendida por todos. O governador, ciente disso, tem conversado com algumas lideranças e sabe que espaços futuros podem pesar na decisão da sigla. Ao ser questionado se o MDB fica, Jorginho disse à coluna que “é de interesse deles”. A frase é o resumo de como anda a relação de PL e MDB.
Com João Rodrigues, o MDB poderia indicar o vice e ainda reivindicar uma vaga ao Senado. A incógnita é se o partido caminharia unido nesse projeto. Situação semelhante ocorre em uma eventual aliança com Gelson Merísio. Nesse caso, porém, o peso do PT na composição da chapa tende a afastar uma parcela significativa dos emedebistas, que têm evitado qualquer rotulação associada à esquerda.
A rodada de encontros regionais dos emedebistas termina no dia 13 de março em Rio do Sul. Até lá há tempo suficiente para reatar o casamento ou encontrar outro caminho para o partido que já foi protagonista de diversas eleições em Santa Catarina.







