Ao sentar-se à mesa com o prefeito de Chapecó e pré-candidato ao governo, João Rodrigues (PSD), o MDB catarinense deu um passo político relevante na direção de uma aliança que deve reunir adversários históricos em torno de um mesmo projeto. O gesto confirma a disposição do partido em integrar, na condição de vice, uma chapa majoritária no campo de oposição ao governador Jorginho Mello (PL), com quem a sigla esteve, até pouco tempo, na condição de aliada.
Ao lado do ex-governador Eduardo Pinho Moreira, o presidente estadual da sigla, deputado Carlos Chiodini, deixou claro que o apoio anunciado é, neste momento, pessoal, mas que a tendência majoritária identificada durante os encontros regionais já promovidos pelo partido é de alinhamento ao projeto de João Rodrigues, especialmente pela possibilidade de participação em uma chapa “competitiva e com espaço de protagonismo”.
O desafio de Chiodini será administrar as divergências internas. Embora minoritário, há um grupo dentro do MDB que já se posicionou publicamente a favor de acompanhar o projeto do governador Jorginho Mello. É o caso do deputado federal Valdir Cobalchini, que, em evento recente na região de Caçador, manifestou preferência pela permanência na base governista.
Outro exemplo é o do deputado estadual Jerry Comper, atualmente licenciado e à frente da Secretaria de Infraestrutura. O secretário é apontado como um dos nomes que podem deixar o MDB para manter esse posicionamento.
O deputado estadual Fernando Krelling também já indicou publicamente que será difícil não se posicionar a favor de uma candidatura majoritária que não tenha representação de Joinville, em referência ao prefeito Adriano Silva (Novo), cotado como pré-candidato a vice na chapa de Jorginho Mello.
Esse conjunto de posições precisará ser administrado e superado para consolidar a aliança anunciada por João Rodrigues, com o PSD na cabeça de chapa, o MDB de vice e a federação União Progressista com Esperidião Amin ao Senado.
Na leitura de Chiodini, o sentimento predominante é de apoio. Segundo ele, mais de 90% das manifestações colhidas nas reuniões apontam para o desejo de o MDB estar na “vitrine” da disputa, ocupando papel central em uma chapa “viável”.
A decisão final seguirá o rito partidário: passará pelo diretório estadual e será consolidada em convenção. Até lá, o MDB terá que fazer aquilo que historicamente domina: arbitrar seus próprios conflitos para chegar a uma posição unificada.








