05/03/2026

Mulheres seguem morrendo por feminicídio e ato cobra atitudes

Homens foram convidados para carregar sapatos vermelhos que representam as 52 mulheres mortas por feminicídio em 2025. Henrique Zanotto, apresentador do SCC SBT foi um deles. Foto: ALESC/ Ricardo Corrêa

Na busca por respostas e atitudes capazes de frear a violência contra as mulheres em Santa Catarina, a Assembleia Legislativa foi palco de um ato forte, triste e necessário na manhã desta quinta-feira.

O seminário Vivas e Decididas lembrou as 52 mulheres mortas por feminicídio em 2025 e convidou homens para representar essas perdas. Alguns deputados marcaram presença. Deveriam estar todos.

O encontro reuniu representantes dos principais poderes e colocou no mesmo palco Governo do Estado, Governo Federal, Tribunal de Contas, Tribunal de Justiça, Alesc, Câmara dos Deputados e Ministério Público para apresentar projetos e assumir compromissos públicos.

Ao ouvir os relatos, a impressão é de que os esforços são inúmeros para mudar uma realidade que envergonha Santa Catarina. Ao ver os 52 pares de sapatos vermelhos no palco, representando às vítimas de feminicídio, nenhuma iniciativa parece suficiente. Em 2026 já foram oito casos e mais de três mil medidas protetivas, segundo os números apresentados no evento.

Enquanto os esforços não forem realmente integrados ou as diferenças ideológicas falarem mais alto que o problema, provavelmente seguiremos chegando tarde para evitar a violência. Homens precisam fazer parte da solução e as instituições têm o dever de caminhar juntas. O ato promovido pela deputada Luciane Carminatti trouxe essa responsabilidade para o centro da discussão.

Não há mais o que refletir, a palavra é atitude – resumiu bem o deputado Julio Garcia.

Vaias não resolvem problemas, atitudes e diálogo sim

Algumas mulheres da plateia, que estavam no evento justamente para pedir respeito, vaiaram inicialmente a secretária de Estado de Assistência Social, Adeliana Dal Pont. Primeiro por representar o governador Jorginho Mello. Depois porque a secretária nacional do Ministério das Mulheres, Estela Bezerra, lembrou que Santa Catarina ainda não teria assinado o Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres.

O mal-entendido foi esclarecido pela deputada Luciane Carminatti, que destacou que o Estado está viabilizando os ajustes necessários para integrar o plano. O pacto nacional já foi assinado pelo governador Jorginho Mello. A informação foi confirmada à colunista pela própria secretária nacional.

Termo de Cooperação

Durante a abertura do evento, representantes dos principais poderes e instituições de Santa Catarina assinaram um Acordo de Cooperação para enfrentar o feminicídio e a violência contra as mulheres.

O documento estabelece oito compromissos, voltados à atuação integrada do Estado, fortalecimento das ações de prevenção, uso de dados para orientar políticas públicas e maior transparência nas iniciativas adotadas.

O acordo não cria novas obrigações legais, mas formaliza um compromisso público entre as instituições, com previsão de avaliação dos resultados em até 10 meses.

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