
O avanço dos casos de feminicídio em Santa Catarina, com duas mulheres assassinadas em menos de 48 horas, deixou de ser episódico para se tornar recorrente. Não podemos permitir que essa tragédia continue envergonhando um estado que é referência em tantos indicadores, inclusive de Segurança Pública. O ciclo de violência contra a mulher não pode se naturalizar. São vidas interrompidas, famílias devastadas e histórias apagadas.
Priscila Dolla foi morta pelo ex-companheiro dentro de casa, em Rio Negrinho. Na madrugada seguinte, Carla Denise da Silva foi assassinada em Peritiba, também pelo ex-companheiro, que invadiu a residência da vítima. Dois crimes com o mesmo roteiro: violência anunciada, relação anterior e ausência de barreiras capazes de impedir o desfecho fatal.
Diante desse cenário, toda ferramenta de proteção se torna necessária e urgente. Entre as novas iniciativas está o DefenDelas, da Defensoria Pública, que permitirá atendimento jurídico remoto e gratuito para pedidos de medidas protetivas.
A vice-governadora Marilisa Boehm (PL), que acompanhou a apresentação da iniciativa, destaca o alcance da medida: ampliar o acesso à Justiça, especialmente em regiões onde a rede presencial não chega com a velocidade necessária. Em um Estado de realidades tão distintas entre litoral e interior, a tecnologia passa a ser também instrumento de proteção.

Mas é preciso ir além da medida protetiva formal. O projeto da deputada estadual Paulinha (Podemos), protocolado na quinta-feira na Alesc, cria um protocolo estadual de avaliação de risco, com monitoramento do agressor, dispositivos de alerta e encaminhamento das vítimas para a rede de acolhimento, quando necessário
Santa Catarina tem rede de proteção, mas ela ainda é fragmentada e reativa. O que se impõe agora é integração, rapidez e presença efetiva do Estado nos casos de maior risco.
Não há solução única para um problema estrutural. Mas há uma certeza: cada medida preventiva pode significar uma mulher viva.
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