O acidente desta quarta-feira na BR-101, na altura de Itajaí, que tirou a vida de três pessoas de uma mesma família, não é apenas mais uma tragédia. É o retrato de uma realidade que Santa Catarina conhece bem e para a qual já não há mais tempo de espera.

Diante do novo episódio, o coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, deputado federal Ismael dos Santos (PSD), voltou a cobrar do diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, uma reunião emergencial para tratar da otimização dos contratos das BRs 101 e 116. O encontro estava previsto para o último dia 10, mas foi desmarcado, segundo o parlamentar, “sem qualquer justificativa”.
A bancada catarinense considera a reunião essencial para destravar procedimentos e dar agilidade às obras previstas para a BR-101 Norte. Na próxima terça-feira, deputados e senadores também estarão reunidos em Brasília com a Federação das Indústrias (Fiesc). A soma de esforços visa fortalecer a pressão.
— Nós precisamos das obras listadas e precificadas para dar o próximo passo. É muito difícil justificar cada acidente causado por esse gargalo da 101. Queremos, o mais rápido possível, os dados necessários para iniciar uma solução e aliviar o sofrimento que a BR-101 Norte tem imposto ao Brasil e aos catarinenses — cobrou o senador Esperidião Amin (PP).
Na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Camilo Martins (Podemos) apresentou números que dimensionam a gravidade do cenário: entre 1º de janeiro e 17 de fevereiro deste ano, foram 1.110 acidentes nas rodovias federais catarinenses, com 1.350 feridos e 49 mortos.
Colapso econômico
Especificamente no que diz respeito a BR-101, o impacto atinge o fluxo turístico, compromete o transporte de cargas e fragiliza a competitividade de Santa Catarina.
A rodovia na região Norte concentra dois dos principais ativos logísticos do país: os portos de Itajaí e Navegantes, este último o segundo em movimentação de contêineres no Brasil. É por ali que passa parte relevante da riqueza que o Estado produz e exporta. Quando a rodovia trava, trava junto a economia.
O sentimento é transversal e une setor produtivo, prefeitos e bancada federal. A BR-101 deixou de ser uma pauta regional. É uma pauta nacional. E, diante da sucessão de acidentes, adiar decisões deixou de ser um problema administrativo, passou a ser uma escolha política.







