11/04/2026

Os Protegidos da Princesa anuncia enredo sobre Solange Adão para o Carnaval 2027

Foto: Os Protegidos da Princesa

O Carnaval de Florianópolis já começa a desenhar suas próximas histórias, e uma delas promete ser carregada de emoção, memória e representatividade. A Os Protegidos da Princesa anunciou que levará para a Passarela Nego Quirido, em 2027, um enredo em homenagem à arte-educadora, atriz, escritora e ativista Solange Adão, uma das principais vozes da luta da mulher negra em Santa Catarina.

A escolha foi construída de forma colegiada pela escola do Mocotó e carrega um simbolismo ainda mais forte por sua conexão com o último desfile da agremiação. Em 2026, a Protegidos apresentou o enredo “14 de maio: o dia que ainda não acabou”, que contou com a colaboração de Solange. Agora, a artista passa dos bastidores para o centro da narrativa.

O convite oficial foi realizado no dia 7 de abril, em um momento marcado por emoção e reconhecimento. Em entrevista exclusiva à coluna Ponte Cultural, Solange revelou que ainda está assimilando a dimensão da homenagem.

Foto: Os Protegidos da Princesa

“Só quem vive a cultura do samba, do carnaval, tem a real dimensão do que significa ser um enredo vivo de uma escola de samba. Ainda mais uma escola como a Protegidos da Princesa, que mora no meu coração. Eu já fiz de tudo por essa comunidade, sem esperar reconhecimento. E, de repente, ser enredo… é como fechar um ciclo”, afirmou.

A relação da artista com a escola é antiga e construída dentro da comunidade do Mocotó. Ao longo dos anos, Solange atuou em diferentes funções, da harmonia à organização estrutural da escola, sempre ligada diretamente ao cotidiano da agremiação.

“Colei, cortei, bordei, gritei, briguei, chorei por essa comunidade. Somos Protegidos, somos Mocotó. É amor verdadeiro”, resumiu.

Carnaval como narrativa e formação

Questionada pela coluna sobre o papel do carnaval como instrumento cultural e político, Solange foi direta ao destacar a potência das escolas de samba como espaços de formação e construção de consciência.

“A escola de samba é escola de fato. Ela ensina, alfabetiza, agrega, desenvolve. E quando traz uma mulher negra como enredo, reafirma o protagonismo do povo negro na sua própria história. A escola de samba conta a história que a história não conta”, destacou.

A escolha do enredo reforça uma tendência cada vez mais presente no nosso carnaval: a valorização de trajetórias que dialogam com identidade, ancestralidade e resistência.

Da vida para a avenida

Ao ser questionada sobre como imagina sua trajetória sendo levada para a avenida, Solange recorre à linguagem que atravessa sua vida: o teatro.

“Imagino como uma grande cena teatral. Minha vida e o carnaval se entrelaçam. É emoção, luta, arte, educação, militância, identidade. O carnaval é o maior espetáculo da Terra, e esperamos fazer um grande desfile”, completou.

Com mais de 35 anos dedicados à educação e à arte, Solange é referência na valorização da cultura afro-brasileira em Santa Catarina. Fundadora do Movimento de Atores Negros (MAN) e do Coletivo de Mulheres Negras Pegada Nagô, também coordena a Feira Afro Artesanal, a primeira feira preta da capital.

Atuação na LIESF e bastidores do carnaval

Além da trajetória artística, Solange também atua como diretora cultural e de matrizes africanas da Liga das Escolas de Samba de Florianópolis. Ao ser questionada sobre sua atuação recente, ela destacou avanços importantes, mesmo em pouco tempo de trabalho.

Foto: Acervo Pessoal Solange Adão

“Foi um período de muita dedicação. Conseguimos avançar em ações importantes, como a reformulação do Prêmio Carlos Magno e a ampliação da Benção da Passarela Nego Quirido, fortalecendo esse compromisso ancestral de pedir licença antes da folia. Ainda há muito a ser feito”, afirmou.

Emoção, representatividade e legado

Se na avenida o desfile ainda está sendo construído, nos bastidores a emoção já é presente. Ao falar sobre o impacto pessoal de se tornar enredo, Solange não esconde o sentimento.

“Ainda estou digerindo. Estou em lágrimas com tanta honraria. O corpo fala, a ansiedade aflora. Ser enredo de uma escola tão grande, de uma comunidade que eu amo, mexe comigo profundamente”, revelou.

Para ela, a mensagem que será levada à avenida vai além do espetáculo.

“É uma mensagem de luta e superação, de representatividade e resistência. De valorização da mulher negra, da educação pública, da arte para todos. De mostrar que os sonhos são possíveis quando estamos juntos.”

Em 2027, a Nego Quirido não verá apenas um desfile. Iremos assistir de perto à trajetória de uma mulher que ajudou a abrir caminhos sendo transformada em samba-enredo, história e resistência; exatamente no lugar onde sempre esteve: no coração do carnaval. Solange Adão é sinônimo de força, luta e representatividade. E é também um acerto simbólico da diretoria da Os Protegidos da Princesa homenageá-la em vida, reconhecendo uma das maiores referências do carnaval de Florianópolis e uma trajetória que ajudou e ajuda a fortalecer a cultura da cidade.

Confira abaixo um acervo fotográfico pessoal de Solange Adão, que ajuda a contar, em imagens, a trajetória de uma vida dedicada à arte, à educação e ao carnaval:

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