
Enquanto muitos artistas escolhem encerrar seus shows no auge da energia, com batidas aceleradas e o público em êxtase, Marisa Monte fez o caminho inverso.
Na noite deste domingo (22), diante de mais de 40 mil pessoas, ela desacelerou o tempo.
Parecia que o fim viria com Amor I Love You. Não veio. Emendou Já Sei Namorar. Também não era o fim. E então, quase como um abraço coletivo, escolheu Bem Que Se Quis para se despedir.
E foi assim que a maior canceriana da MPB deixou a Maratona, com delicadeza, com milhares de pessoas em silêncio, emocionadas, como só ela sabe fazer.
Um vilarejo possível
Em Vilarejo, Marisa canta sobre um lugar onde “areja um vento bom”, onde “as pessoas têm tempo”, onde as portas estão sempre abertas.
E se esse vilarejo existisse por alguns dias no ano?
E se ele fosse Floripa durante a Maratona Cultural?
Durante quatro dias, a cidade se transforma. São quase 500 atrações espalhadas por ruas, praças, teatros e centros culturais. A arte ocupa os espaços, atravessa caminhos, encontra as pessoas.
As portas se abrem.
E não só as físicas. Abrem-se também para encontros, para novos sons, para histórias que chegam de diferentes lugares e passam a fazer parte daqui.
Uma cidade que canta junto
Na Arena, o público não apenas assistia. Cantava junto. Sabia as letras, acompanhava cada virada, cada pausa.
Mas o que se viu ali foi mais do que um grande show.
Foi uma cidade inteira conectada pela música.
Gente que já era daqui, gente que chegou há pouco, gente que veio de longe só para viver aquele momento. Todos dividindo o mesmo espaço, o mesmo coro, a mesma emoção.
Talvez seja isso que a Maratona Cultural faz de melhor.
Criar, mesmo que por alguns dias, esse vilarejo possível.
Onde a arte entra sem pedir licença.
Onde a cultura encontra espaço.
E onde, no meio de tanta gente, todo mundo parece se reconhecer um pouco.






