24/03/2026

Tilápia importada invade, banana entra em risco e SC vê sua produção na linha de fogo

O agro brasileiro começa a semana com um alerta que não é mais teórico, é prático, mensurável e já bate no caixa do produtor.

A tilápia importada ganhou espaço dentro do Brasil.
A banana estrangeira ameaça entrar no mercado.

E, no meio disso tudo,
Santa Catarina aparece no centro do impacto.

Porque aqui não se trata de nicho.
Se trata de cadeia produtiva estruturada e relevante.

Tilápia importada vira concorrência direta e atinge uma cadeia de R$ 500 milhões em SC

Pela primeira vez, o Brasil importou mais tilápia do que exportou.

Foram mais de 1,3 mil toneladas de filé vindas do Vietnã em fevereiro, volume equivalente a 4,1 mil toneladas de peixe vivo cerca de 6,5% da produção mensal nacional

O número, por si só, já preocupa.

Mas o impacto real aparece quando se olha para dentro de Santa Catarina.

O estado é hoje o 4º maior produtor de tilápia do Brasil, com produção superior a 50 mil toneladas por ano e um impacto econômico que gira em torno de R$ 500 milhões anuais.

Não é pouco.

É uma cadeia organizada, com base em:

  • produção familiar integrada
  • presença industrial
  • apoio técnico consistente

A Epagri avança, inclusive, no melhoramento genético da espécie SC04, voltada à adaptação às condições locais – ou seja, há investimento, tecnologia e estratégia.

E Santa Catarina já antecipou o risco:

Em 2025, proibiu a entrada de tilápia do Vietnã por questões sanitárias

Agora, o problema muda de escala.

Porque não se trata mais de risco potencial.
Se trata de produto estrangeiro mais barato ocupando espaço real no mercado interno.

E quando isso acontece, o efeito é direto:

Pressão no preço

Redução de margem
Risco de desestruturação da cadeia

Banana do Equador entra no radar e SC pode perder mercado e segurança sanitária

Se a tilápia acendeu o alerta econômico, a banana acende um alerta ainda maior: econômico e sanitário ao mesmo tempo.

A discussão sobre a possível importação da banana do Equador, debatida na Casa Civil na quarta-feira (18) com participação da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), mexe diretamente com Santa Catarina.

E com razão.

O estado é um dos maiores produtores de banana do país, com mais de 750 mil toneladas produzidas na safra de 2024, concentradas principalmente no Norte e no Vale do Itajaí.

E mais:

  • destaque para a banana nanica (caturra), considerada uma das mais doces do Brasil
  • presença de Indicação Geográfica (IG) na região de Corupá
  • forte atuação no mercado externo, com exportações para Argentina e Uruguai

Ou seja, não é uma cultura periférica.

É base econômica regional.

A eventual entrada da banana equatoriana traz dois impactos imediatos:

1. Competitividade

Produto estrangeiro pode entrar com custo menor e pressionar o preço interno.

2. Risco fitossanitário

O temor é a entrada do TR4, uma das pragas mais devastadoras da bananicultura mundial.

A CNA foi clara:

“Qualquer avanço precisa estar amparado por critérios sanitários rigorosos, rastreabilidade e mecanismos efetivos de prevenção.”

Porque, nesse caso, o problema não é só perder mercado.

É perder a capacidade de produzir.

Chocolate ganha regra e mercado ganha transparência

No meio das tensões externas, uma pauta interna avançou.

A Câmara aprovou o Projeto de Lei nº 1.769/2019, que estabelece regras claras para produtos derivados de cacau.

Agora:

  • chocolate precisa ter mínimo de 35% de cacau
  • chocolate ao leite, 25%
  • e o percentual passa a ser obrigatório no rótulo

Para a CNA, a medida corrige distorções:

“O projeto valoriza a produção nacional e dá mais clareza ao consumidor.”

Em outras palavras: acabou a farra do “chocolate sem cacau”.

SC aposta em permanência no campo com foco em jovens e mulheres

Enquanto o mercado pressiona, Santa Catarina reage com política pública.

O Projeto Moradia para Jovens e Mulheres, dentro do Pronampe Agro SC, já está em operação.

Os números mostram o alcance:

  • até R$ 100 mil por família
  • juros subsidiados de até 5% ao ano
  • prazo de até 8 anos

Voltado a jovens e mulheres do meio rural, o programa busca resolver um dos principais gargalos do agro:

Sucessão familiar

O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, reforça:

“É uma ação para fortalecer a permanência de jovens e mulheres nas atividades agrícolas e impulsionar novas oportunidades no campo.”

Não é política acessória.

É política de continuidade produtiva.

CAR Digital: menos burocracia, mais velocidade e segurança para o produtor

Santa Catarina também avançou em um ponto estrutural: a regularização ambiental.

Com o lançamento do SICAR 2.0, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) passa a ser totalmente digital no estado.

Impactos diretos:

  • redução de até 90% no tempo de análise
  • mais de 425 mil cadastros impactados
  • eliminação de retrabalho e inconsistências

O produtor agora:

Acompanha o processo online
Acessa os mesmos dados do Estado
Ganha previsibilidade

E, no agro, isso significa uma coisa: acesso mais rápido a crédito, seguro e mercado.

O secretário de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde, Cleiton Fossá, resumiu o impacto da nova fase:

“Estamos entregando uma ferramenta que dá mais transparência, agilidade e segurança jurídica ao produtor rural. O CAR Digital permite que o Estado avance na regularização ambiental e, ao mesmo tempo, destrave investimentos e oportunidades no campo.”

E, no agro, isso não é detalhe.

É o que separa quem consegue produzir com segurança de quem fica travado na burocracia.

SC sente antes e reage mais rápido

A terça-feira mostra uma mudança clara no jogo do agro:

o problema não está mais só no clima ou no crédito.

Está na competição global dentro do mercado interno.

Tilápia importada pressionando preço.
Banana sob risco sanitário e comercial.
E cadeias produtivas testadas em tempo real.

Mas também mostra que Santa Catarina não está parada.

Investe, regula, protege e estrutura.

Porque já entendeu que, no agro moderno,
não basta produzir bem, é preciso defender o que se produz.

Os colunistas são responsáveis pelo conteúdo de suas publicações e o texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Upiara.

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