30/03/2026

Semana curta, pauta longa: Senado mexe nas regras do campo enquanto Brasília desacelera

A última semana de março termina, mas o agro não entra em pausa.

Enquanto Brasília reduz o ritmo por conta da semana que antecede a Páscoa, o Senado acelera uma pauta estrutural: a modernização das regras do trabalho rural. É o tipo de movimento que não faz barulho imediato, mas redefine o funcionamento do campo nos próximos anos.

Sem sessões deliberativas na Câmara dos Deputados e com o Senado seguindo no mesmo compasso mais lento, o que se vê é um contraste típico de fim de mês: menos plenário, mais articulação e decisões que avançam fora do radar do grande público.

No campo, o calendário não espera.
Abril começa com a colheita do pinhão em Santa Catarina, com renda, cultura e turismo em jogo.
E, enquanto o Legislativo desacelera, o agro segue produzindo, ajustando e se reinventando.

Nova lei do trabalho rural avança e redesenha regras do campo

O Senado deu um passo relevante e silencioso na modernização das relações de trabalho no campo.

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) aprovou o Projeto de Lei nº 4.812/2025, de autoria da senadora Margareth Buzetti (PP-MT), com relatoria do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA).

Ambos integram a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) o que não é detalhe.

O texto substitui uma legislação que vem desde 1973 e consolida, em um único marco legal, regras hoje dispersas sobre:

  • contratos de trabalho
  • jornada
  • saúde e segurança
  • negociação coletiva
  • fiscalização

Com 221 artigos, o projeto tenta atualizar a legislação à realidade de um campo que hoje é tecnológico, integrado e mais complexo.

E vai além.

Cria a Política Nacional de Qualificação, Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade no Trabalho Rural, conectando:
Capacitação
Modernização
Produtividade

O relator ajustou pontos considerados pouco aplicáveis à realidade rural, como exigências burocráticas e regras de teletrabalho, além de questionar dispositivos incompatíveis com contratos de safra.

O projeto segue agora para a Comissão de Assuntos Sociais (CAS), com decisão terminativa.
Se aprovado, pode ir direto para a Câmara.

É uma pauta estrutural e estratégica.
Menos ideológica, mais operacional.

Conab troca comando em meio à pressão por abastecimento

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) terá novo comando.

Sílvio Porto assume a presidência no lugar de Edegar Pretto, que deixa o cargo para disputar o governo do Rio Grande do Sul.

Porto conhece a casa:

  • já foi diretor da estatal
  • participou da criação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)

A troca ocorre em um momento sensível:
Pressão sobre frete
Custo logístico elevado
Necessidade de garantir abastecimento

Ou seja, não é apenas mudança administrativa.
É troca em meio à turbulência.

Pinhão abre safra em SC com menos volume e preços firmes

Abril começa com um dos símbolos do agro catarinense.

A colheita do pinhão será liberada a partir de 1º de abril em Santa Catarina, conforme a legislação estadual. Na Serra Catarinense, a expectativa é de uma safra menor:

  • 3,7 mil toneladas previstas em 2026
  • queda de 32% em relação a 2025

Mesmo assim, o mercado aponta para:
Manutenção ou alta nos preços

O pinhão não é só produto é renda e identidade:

  • cerca de 10 mil famílias dependem da atividade
  • representa aproximadamente 30% das propriedades rurais da região

Em Lages, a abertura oficial será no dia 4 de abril, no Mercado Público, com evento cultural e distribuição do produto.

Menos volume, mais valor.
É o ciclo natural da araucária e da economia serrana.

Festa Nacional do Pinhão reforça agro como cultura e turismo

A cadeia do pinhão vai além da lavoura.

A 36ª Festa Nacional do Pinhão, em Lages, já tem data:
de 29 de maio a 7 de junho

Com destaque para o Festival Sabores de Lages, que conecta:
Gastronomia

Produção local

Turismo

O evento reforça um ponto importante: no agro, valor não está só na produção está na experiência, na cultura e na identidade regional.

Epagri aposta em abelhas e coloca polinização no centro da produção

No Extremo-Oeste catarinense, a Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) aposta em uma frente silenciosa, mas essencial.

O projeto “Insetos Polinizadores Meliponicultura e Apicultura” promove encontros abertos para fortalecer a criação de abelhas.

A lógica é técnica e estratégica:

  • abelhas são responsáveis por cerca de 80% da polinização
  • impactam diretamente a produtividade agrícola
  • e abrem novas fontes de renda

A proposta vai além do mel:
Própolis
Pólen
Geleia real
Cera

Integração entre conhecimento técnico e experiência de campo.
Produção e biodiversidade na mesma equação.

Brasília desacelera, o campo não

A semana que antecede a Páscoa reduz o ritmo político.

Mas não reduz a pressão sobre o agro.

Enquanto o Congresso esvazia, o Senado avança em uma das pautas mais estruturais do setor.
Enquanto Brasília desacelera, o campo entra em nova safra.
Enquanto o plenário silencia, a produção continua.

O recado é claro: o agro não opera em calendário político.
Opera em tempo real.

E, quando a política anda devagar, quem precisa correr mais, é quem está dentro da porteira.

Boa semana, Agroamigos!

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