20/03/2026

Seguro na pauta, diesel na veia e o agro fecha a semana no limite

O agro chega ao fim da terceira semana de março com uma equação conhecida e cada vez mais pressionada.

De um lado, Brasília tenta estruturar o futuro. De outro, o presente já cobra a conta.

Enquanto a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) acelera mudanças no seguro rural e quer votação já na próxima semana, o diesel segue no centro da crise agora com greve de caminhoneiros ganhando força em Santa Catarina e no país.

O recado do campo é direto: não dá mais para apagar incêndio safra após safra.

Seguro rural entra no radar político e pode virar virada de chave

A FPA decidiu subir o tom e acelerar a votação do projeto de lei do seguro rural já na próxima semana.

O texto, aprovado no Senado, terá como relator o presidente da Frente, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), e deve chegar à Câmara com mudanças estruturais.

A avaliação da bancada é estratégica:

o seguro precisa estar redesenhado antes da construção do Plano Safra 2026/27.

Segundo o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), o objetivo é sair da lógica emergencial.

“Quando você tem o seguro estruturado, você resolve isso na origem. Ele passa a ser um instrumento permanente, que dá previsibilidade e protege o produtor.”

O que muda no seguro rural

A proposta da bancada mexe em pilares do modelo atual.

Entre os principais pontos:

• Cooperativas entram no jogo
O seguro passa a incluir cooperativas de produção, ampliando o alcance e protegendo estruturas coletivas do agro.

• Seguro vira garantia de crédito
Produtores poderão usar o seguro como instrumento de garantia em financiamentos, reduzindo risco e facilitando acesso ao crédito.

• Criação de fundo estruturante
Um fundo específico dará previsibilidade de recursos ao sistema, reduzindo a dependência de decisões anuais.

• Gestão na Fazenda, não no Mapa
A administração do fundo deve ficar com o Ministério da Fazenda, reforçando o caráter econômico e não apenas agrícola da política.

Na prática, é a tentativa de transformar o seguro em base do sistema.

Não em solução de última hora.

Diesel vira disputa política e FPA reage à MP

Enquanto o seguro tenta organizar o futuro, o diesel bagunça o presente.

A FPA já prepara emendas à Medida Provisória nº 1.340/2026, que trata da subvenção ao diesel, com um ponto central:

Corrigir a distorção criada pela isenção de PIS/Cofins apenas para o diesel.

A bancada quer estender o benefício também ao biodiesel, para preservar competitividade e respeitar o princípio constitucional de incentivo aos biocombustíveis.

“Quando o governo diminui a tributação do diesel, precisa manter essa diferença para o biodiesel”, afirmou

Arnaldo Jardim.

Mistura maior e fertilizante na mesa

A reação da bancada não para no diesel.

A FPA, junto com o setor produtivo e com apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), também vai pressionar o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) por:

  • aumento da mistura de biodiesel: de B15 para B16 ou B17
  • aumento do etanol na gasolina: de E30 para E32

E quer destravar outra pauta estratégica:

Profert (Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes)

Para a CNA, o momento é crítico.

“O principal ponto de reclamação que nós temos recebido é o aumento abusivo de preços”, disse o diretor técnico, Bruno Lucchi.

Guerra pressiona fertilizantes e acende alerta estrutural

O conflito no Oriente Médio já começa a mostrar efeito direto.

Segundo a CNA:

  • a ureia subiu entre 30% e 35%
  • cerca de 35% do nitrogenado vem da região

O senador Jaime Bagattoli (PL-RO) resumiu o efeito:

“Não afeta só um insumo. É uma reação em cadeia.”

Já o deputado Luiz Nishimori (PSD-PR) foi além:

“Não podemos continuar importando 90% dos fertilizantes.”

O problema deixou de ser conjuntural.

Virou dependência estrutural.

Greve dos caminhoneiros começa e SC entra no mapa

E o que já era pressão virou movimento.

Caminhoneiros de Santa Catarina decidiram aderir à greve nacional, com mobilizações em:

  • Itajaí
  • Navegantes
  • Itapoá
  • Imbituba

A articulação acompanha portos como os de Santos, Paranaguá e Rio Grande.

Segundo o presidente do Sinditac (Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas) de Navegantes, Vanderlei de Oliveira:

“O diesel subiu e o frete não acompanhou.”

A principal cobrança é a aplicação do gatilho do frete, mecanismo criado após a greve de 2018 e que, segundo a categoria, não está sendo respeitado.

O movimento já começou e não tem prazo para terminar.

Sextou com pressão total

O agro fecha a semana com três frentes abertas:

  • tentativa de estruturar o seguro rural
  • disputa política sobre o diesel
  • e paralisação no transporte

Tudo isso no meio de:

  • custos em alta
  • conflito internacional
  • e definição do próximo Plano Safra

No papel, são pautas diferentes.

Na prática, é o mesmo problema:

Previsibilidade.

Sem ela, o produtor segue fazendo o que sempre fez: produz!

Mas, cada vez mais, sem saber quanto vai sobrar no final.

Boa sexta, meus Agroamigos!

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