07/04/2026

Proteção virou palavra de ordem no agro e Santa Catarina quer puxar essa pauta

A política agrícola começa a mudar de tom e Santa Catarina quer liderar essa virada.

Em entrevista exclusiva à jornalista Ketrin Raitz, do canal do Política e Agro, o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Edi Dalla Cort, deixa claro que o desafio não é mais apenas produzir, mas proteger quem produz especialmente em cadeias mais vulneráveis, como leite, arroz e cebola.

Agropecuarista, economista e ex-prefeito de Galvão por quatro mandatos, o secretário chega ao comando da pasta com uma leitura que vem da ponta: quem está no campo hoje enfrenta um cenário em que produzir bem não garante renda.

E o diagnóstico é direto e político.

Segundo ele, Santa Catarina fez sua parte com medidas emergenciais, mas há um limite claro: sem política nacional, não há solução estrutural.

“Precisamos trabalhar com a bancada federal políticas públicas de proteção, principalmente para cadeias que não têm integração, como leite, arroz e cebola”, afirmou.

A fala não é casual. É um recado.

Enquanto setores como suínos e aves operam com integração e maior previsibilidade, cadeias independentes seguem expostas a:

  • volatilidade de preços
  • pressão de importações
  • ausência de instrumentos de proteção

No caso da cebola que teve super safra e colapso de preços o Estado adotou medidas pontuais, como a prorrogação de contratos via Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR), alcançando mais de 1.300 operações e cerca de R$ 4 milhões.

No leite, lançou o programa Leite Bom, com crédito de até R$ 50 mil via Pronamp/BRDE, sem juros e com carência.

E no arroz, incluiu sementes no programa Terra Boa, em parceria com a Fecoagro.

Mas o próprio secretário reconhece: isso é fôlego, não solução.

A entrevista completa está no canal do Política e Agro no YouTube e ajuda a entender por que a palavra “proteção” começa a ganhar espaço na agenda do agro brasileiro.

Agro até na Lua

Enquanto o campo enfrenta desafios aqui na Terra, o agro brasileiro já começa a projetar seu papel fora dela.

A missão Artemis II, que marca o retorno de astronautas à órbita lunar após mais de meio século, tem participação indireta do Brasil e do agro.

Uma rede liderada pela Embrapa integra o projeto internacional que estuda como produzir alimentos em ambientes extremos, como a Lua e, no futuro, Marte.

O desafio é gigantesco:

  • microgravidade
  • radiação intensa
  • ausência de solo fértil

E a resposta passa por tecnologias que já começam a ser testadas aqui como hidroponia, aeroponia e sistemas de cultivo de ciclo fechado.

Na prática, o agro brasileiro pode ajudar a resolver uma equação que hoje custa cerca de US$ 1 milhão por quilo de alimento levado ao espaço.

Sim, até a agricultura tropical entra nessa conta.

Quem protege o agro passa a ser mais protegido

Avanço importante para a linha de frente da defesa agropecuária.

A Lei nº 15.367/2026 passa a garantir o pagamento de adicional de fronteira a servidores que atuam em regiões estratégicas de fiscalização.

A medida fortalece a atuação do Ministério da Agricultura e Pecuária em áreas sensíveis, essenciais para:

  • impedir entrada de pragas e doenças
  • garantir sanidade da produção
  • manter mercados internacionais abertos

Além disso, ajuda a fixar profissionais em regiões de difícil acesso um gargalo histórico do sistema.

Alerta sanitário vindo da Ásia

A China confirmou surtos de febre aftosa em rebanhos bovinos nas regiões de Gansu e Xinjiang.

Foram 219 animais diagnosticados entre mais de 6 mil monitorados.

O episódio reforça um ponto sensível: sanidade animal não é detalhe é ativo estratégico.

Para um país exportador como o Brasil, qualquer instabilidade sanitária global acende o sinal de alerta.

A carne entra na era da “superproteína”

A JBS inaugurou em Florianópolis um centro de biotecnologia que aposta em proteínas “sob medida”.

A proposta é desenvolver compostos com:

  • perfil específico de aminoácidos
  • foco em ganho muscular, imunidade e desempenho metabólico

O projeto, instalado no Sapiens Parque, coloca a empresa em uma nova fronteira: não apenas produzir alimentos, mas desenhar funções nutricionais.

É a chamada “nutrição de precisão” e pode mudar o jogo no mercado global de suplementos, hoje estimado em US$ 30 bilhões.

Protagonismo feminino no campo

Estão abertas até 7 de junho as inscrições para o Prêmio Mulher do Agro.

A iniciativa reconhece produtoras que se destacam em:

  • sustentabilidade
  • governança
  • impacto social

Mais do que prêmio, é reflexo de uma mudança estrutural: o agro brasileiro é cada vez mais feminino e mais protagonista.

Santa Catarina aponta e o agro avança até na Lua

Santa Catarina está dizendo em voz alta o que boa parte do agro brasileiro já percebeu em silêncio: produzir bem não basta quando o sistema não protege quem produz.

A fala do secretário deixa claro que o Estado faz sua parte crédito emergencial, prorrogação de dívidas, apoio direto ao produtor, mas também escancara o limite: sem política nacional, cadeias como cebola, leite e arroz seguem expostas.

E é justamente aí que a semana revela o contraste.

De um lado, o produtor luta para equilibrar custo, preço e mercado, muitas vezes sem rede de proteção.
De outro, o agro brasileiro avança a ponto de participar de pesquisas que vão ajudar a viabilizar a produção de alimentos… fora da Terra.

A presença da Embrapa em projetos ligados à missão Artemis II mostra que o Brasil domina tecnologia, conhecimento e inovação para alimentar até bases lunares.

Mas ainda patina em algo mais básico: garantir renda e previsibilidade para quem planta aqui.

Ou seja: não adianta o agro brasileiro chegar à Lua, se o produtor aqui na Terra continuar sem chão.

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