Por Letícia Schlindwein da Agro Agência Catarina — direto de Brasília

Panorama da Semana
A última semana de janeiro escancarou a fotografia real do agro brasileiro: ciência e tecnologia avançam, o clima aperta, o mercado oscila e a política começa a ser chamada de volta ao jogo.
Santa Catarina apareceu como vitrine — da pesquisa agropecuária à proteção do produtor de leite — enquanto o cenário nacional foi marcado por decisões regulatórias relevantes, como a ampliação do uso da cannabis medicinal, e por velhos gargalos que insistem em pressionar renda e previsibilidade no campo.
O clima dominou o noticiário, com ciclone no radar, calor extremo, inflação no hortifruti e avanço de pragas. Ao mesmo tempo, o agro mostrou capacidade de resposta com tecnologia (antigranizo, agricultura digital, bioinsumos), capacitação técnica e articulação política. Janeiro termina com a sensação clara de que fevereiro começa com pauta cheia e sem espaço para improviso.
Agro em Alerta
- Clima como fator central: ciclone no Sul, calor extremo e instabilidade climática impactaram colheita, preços e logística. O clima deixa de ser exceção e vira variável estrutural do planejamento rural.
- Soja e milho pressionados: dólar mais baixo, colheita acelerada e falta de armazenagem derrubaram preços; produtores foram obrigados a vender milho para liberar silos.
- Cebola em crise em SC: produtividade elevada e preços abaixo do custo mobilizaram produtores em Ituporanga; propostas seguem para articulação em Brasília.
- Leite sob pressão: importação de leite em pó segue afetando renda; SC reage com lei que proíbe reconstituição de leite importado como fluido.
- Endividamento rural no radar político: securitização e renegociação de dívidas ganham força para a retomada dos trabalhos legislativos.
Indicadores da Semana
- 🌦️ Clima: ciclone previsto para o Sul; ondas de calor com picos próximos de 40 °C no Sudeste e Centro-Oeste
- 🌱 Soja: preços em queda com dólar baixo e avanço da colheita; mercado cauteloso diante da safra recorde
- 🌽 Milho: pressão adicional por venda forçada devido à falta de armazenagem
- 🧅 Cebola (SC): preços entre R$ 1,00 e R$ 1,20/kg, abaixo do custo de produção
- 🥛 Leite (SC): Conseleite fixa valor de referência para fevereiro em R$ 2,03/litro (–1%)
- 🍎 Fruticultura: exportações brasileiras seguem fortes na União Europeia; SC consolida liderança na maçã
- 🦠 Pragas: população de cigarrinha-do-milho cresce 128% em SC, acendendo alerta técnico
- 💊 Regulação: Anvisa amplia regras para cannabis medicinal; cultivo segue em avaliação
Visão da Semana — O clima manda, o mercado reage e a política precisa voltar
Janeiro termina deixando um recado direto: o agro segue fazendo sua parte, investindo em tecnologia, ciência e gestão, mas a margem de erro ficou mínima.
Clima, câmbio e logística pressionam preços; a regulação avança em alguns pontos, mas problemas estruturais – como endividamento e concorrência desleal – exigem decisão política.
Fevereiro começa com o Congresso de volta, e o campo já deixou claro que não dá mais para empurrar pauta com a barriga.
Radar do Agro — Semana de 2 a 6 de fevereiro
- 🏛️ Retorno do Congresso Nacional: fim do recesso parlamentar; expectativa de avanço nas pautas de securitização de dívidas rurais, seguro rural e crédito
- 📜 FPA em campo: retomada das articulações sobre endividamento, importações de leite em pó e proteção ao produtor
- 🌱 Mercado agrícola: atenção ao ritmo da colheita da soja e seus efeitos sobre milho, frete e armazenagem
- 🌦️ Clima: monitoramento contínuo no Sul e Sudeste; impactos sobre safra de verão
- 🥛 Leite: desdobramentos da lei catarinense e pressão por medidas nacionais
- 🌍 Mercosul–UE: debate sobre indicações geográficas, barreiras ambientais e cronograma de ratificação
- 🎓 Capacitação: inscrições abertas para cursos da Epagri, Cidasc e Embrapa seguem como alternativa prática ao produtor
📌 Fevereiro e Brasília entram em campo
Janeiro termina quente – no clima e na política agrícola.
Fevereiro começa com o Congresso de volta ao tabuleiro e o agro cobrando menos discurso e mais decisão.
O campo já fez o dever de casa. Agora, a bola está com Brasília.





