01/03/2026

Fôlego não paga conta! Sem política estruturante, a crise só muda de nome

Por Letícia Schlindwein da Agro Agência Catarina — direto de Brasília

Semana de pauta quente e conta apertada no campo.

O leite voltou ao centro do debate com projeto no Congresso para criar governança nacional (Instituto/Fundo do Leite) e reação do setor em Santa Catarina pedindo defesa comercial contra dumping e políticas estruturantes — fôlego administrativo não resolve margem.

A escala 6×1 virou agenda popular no Congresso; a FPA entrou para frear o “sim ou não” e empurrar transição negociada, enquanto CNA, Facisc e Fiesc alertaram para custo, informalidade e desemprego mascarado.

A crise da cebola escancarou o limite do remendo: MDA orienta renegociar Pronaf, municípios de SC decretam emergência, Epagri/Cepa aponta produção forte com preço no chão, e a Alesc chamou Epagri, Facisc e prefeituras para politizar a saída.
No front externo, Mercosul–UE dominou a reunião da FPA: “sim ao acordo, não ao cheque em branco”, com cobrança por salvaguardas espelhadas ao que a UE exige.

Tarifas globais dos EUA voltaram ao radar (10% por 150 dias, com exceções relevantes ao agro), enquanto o setor mapeia risco de previsibilidade curta.
Fechando a semana, o Sistema Faesc/Senar mostrou músculo de base (quase 500 cursos gratuitos em março), a Copercampos encerrou o Show Tecnológico com recado político (negócios, logística e sucessão), e a Cidasc avançou na defesa agropecuária com o Projeto Olho Bom — sanidade e fiscalização virando ativo competitivo.

Agro em Alerta

Leite no fio: governança nacional ajuda, mas sem defesa comercial + exportação + renda mínima, a sangria continua.

6×1 custa caro: sem transição, repasse de custo e informalidade sobem; o agro pede negociação e faseamento.

Cebola sem preço: renegociação evita inadimplência, não recompõe margem; crise pede política de comercialização.

Mercosul–UE: acordo grande sem salvaguardas simétricas vira flanco aberto.

Tarifas dos EUA: exceções aliviam cadeias, mas previsibilidade é curta.

Logística: feira mostra tecnologia; estrada ruim vira custo e trava ganho de produtividade.

Indicadores da Semana

Crédito & seguro: debate avançou para elevar a subvenção do Seguro Rural (PSR); sem fonte blindada, vira anúncio.

Trabalho: estudos apontam aumento do custo da hora com fim da 6×1; pressão em setores intensivos em mão de obra do agro.

Sanidade & defesa: Projeto Olho Bom (Cidasc) moderniza controle do trânsito — sanidade segue como passaporte de mercado.

Capacitação: Faesc/Senar amplia oferta territorial de cursos — produtividade e gestão como política pública de base.

Mercados externos: exceções nas tarifas dos EUA aliviam curto prazo; Mercosul–UE pede trava regulatória antes da ratificação.

Radar do Agro — Agenda da primeira semana de março

Congresso: retomada forte de comissões com 6×1, seguro rural, endividamento e Mercosul–UE na mesa; monitorar tramitação de salvaguardas e desdobramentos do acordo.

Judiciário: expectativa de movimentos em temas regulatórios/ambientais que impactam o campo (licenciamento e segurança jurídica).

Executivo: pressão por decreto de salvaguardas no comércio e definição de fonte estável para o PSR; monitorar desenho de crédito/Proagro.

SC: acompanhamento da implementação de medidas para cebolla (comercialização) e logística (rodovias federais), além do calendário de capacitações Faesc/Senar em março.

Visão da Semana — “Fôlego não paga conta: régua justa ou flanco aberto”

A semana mostrou o limite do improviso. Renegociar dá ar, não cria renda. Acordo abre mercado, sem salvaguarda abre flanco. Jornada muda no palanque, sem transição encarece na planilha.

O agro aceita competir no mundo, desde que a régua seja justa e a política pare de tratar incêndio como política pública.

Fevereiro fechou com aula prática. Março cobra entrega.

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