
Se a semana começou com alerta, termina com ação.
O diesel que dominou o debate do agro nos últimos dias saiu do discurso e entrou na política pública. E não em pequena escala.
Com a adesão de 20 estados, o governo federal avança para editar a medida provisória que tenta conter a alta do combustível. No meio desse movimento, Santa Catarina não apenas entrou — entrou impondo.
E o campo segue pressionando.
Porque, no agro, o diesel não é detalhe.
É custo direto, margem e, no limite, viabilidade.
Estados aderem, governo avança e diesel vira política nacional
A proposta do governo federal ganhou corpo.
Pelo menos 20 estados já aderiram ao modelo de subsídio ao diesel, que prevê:
- R$ 1,20 por litro
- dividido entre União (R$ 0,60) e estados (R$ 0,60)
- validade até o fim de maio
A medida será formalizada por medida provisória (MP) instrumento que tem força de lei imediata, mas precisa ser aprovado pelo Congresso em até 120 dias.
O objetivo é conter a escalada de preços provocada pela crise no Oriente Médio, que impacta diretamente o petróleo e seus derivados.
A estratégia mudou:
Sai a tentativa de zerar ICMS
Entra a subvenção direta ao combustível
Na prática, é uma corrida contra o tempo e contra o mercado internacional.
Santa Catarina aceita, mas impõe condições ao governo federal
Santa Catarina entrou no acordo.
Mas não assinou em branco.
O governador Jorginho Mello aceitou a proposta com duas condições claras:
- Caráter temporário e limite fiscal
O estado exige que a medida seja restrita no tempo, sem prorrogação em período pré-eleitoral, e respeite o teto de impacto financeiro. - Repasse real ao consumidor
O subsídio precisa chegar na bomba e não se perder no meio da cadeia.
O recado é direto:
O estado aceita ajudar
Mas não aceita bancar distorção
Enquanto isso, o preço médio do diesel em Santa Catarina já chegou a R$ 7,33, com alta de cerca de 20% em poucas semanas.
CNA e FAESC pressionam por corte de impostos e ampliam ofensiva
Se o governo propõe subsídio, o setor produtivo quer mais.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) pediram a redução imediata do ICMS sobre o diesel.
O argumento é técnico e urgente:
- o combustível impacta diretamente o custo de produção
- a alta ocorre em plena colheita e plantio
- o efeito se espalha por toda a economia
O presidente da FAESC, José Zeferino Pedrozo, foi direto ao governo:
Reduzir imposto agora é medida emergencial
E pode ajudar a conter inflação e custo dos alimentos
A ofensiva também inclui pedidos ao governo federal para redução de PIS/Pasep e Cofins.
Ou seja: o subsídio é só parte da solução.
SC prorroga dívidas e dá fôlego a produtores de cebola e alho
Enquanto Brasília tenta aliviar o diesel, Santa Catarina atua direto na renda do produtor.
O governo estadual prorrogou o prazo de financiamentos do Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR) para agricultores afetados pela crise da cebola e do alho.
Os números mostram o alcance:
- 1.305 contratos atendidos
- mais de R$ 4,2 milhões envolvidos
A medida permite:
Adiar parcelas de 2026
Transferir vencimentos para o final do contrato
Dar fôlego financeiro imediato
O secretário de Agricultura, Admir Dalla Cort, resumiu o impacto:
“Essa medida dá mais tranquilidade para os agricultores enfrentarem esse momento de preços baixos. É um apoio importante para manter a atividade no campo.”
A decisão atinge municípios que decretaram emergência econômica muitos deles já citados aqui na coluna.
É a política pública chegando depois da pressão.
E mostrando resultado.
CAR pausa para modernização e promete mais agilidade no campo
O Cadastro Ambiental Rural (CAR) ficará fora do ar em Santa Catarina entre 6 e 25 de abril para atualização do sistema.
A expectativa é:
Mais integração de dados
Redução de burocracia
Mais rapidez na análise
No agro, isso significa uma coisa:
menos tempo parado mais acesso a crédito e regularização.
Câmara avança em tecnologia e custo de produção
Duas decisões importantes avançaram na Câmara:
Motorização elétrica no campo
A proposta cria uma política nacional para incentivar o uso de máquinas agrícolas elétricas.
A relatora, a deputada Caroline de Toni (PL-SC), destacou:
“O incentivo representa um passo relevante na modernização tecnológica e ambiental do setor.”
Energia mais simples para irrigação
Outro projeto simplifica a renovação do desconto na conta de luz para agricultura irrigada e aquicultura, retirando exigências burocráticas dos produtores.
Menos papel
Mais previsibilidade
Menor custo operacional
Abril começa com agenda cheia e agro em movimento
Mesmo com semana encurtada, abril começa acelerado no campo.
Feiras e eventos movimentam o país:
- Tecnoshow Comigo (GO)
- FETEC Agro (MG)
- Show Rural Colíder (MT)
- ExpoLondrina (PR)
Mais do que exposição:
Tecnologia
Negócios
Conexão entre produtores
O agro não para, nem em semana curta.
Entre pressão e resposta
A semana termina com um recado claro.
O diesel virou pauta nacional.
O estado reagiu.
O setor pressionou.
E políticas começaram a aparecer.
Não resolve tudo.
Mas muda o jogo.
Porque quando custo explode, não dá para esperar.
E o agro deixou isso claro.
Uma abençoada Sexta-feira Santa e uma Feliz Páscoa a todos os nossos Agroamigos.





