13/04/2026

Agronegócio lidera pedidos de recuperação judicial; um técnico assume o Ministério; leia os destaques

O dado é duro. E simbólico.

O agronegócio brasileiro liderou, em 2025, os pedidos de recuperação judicial no país com 30,1% do total, somando 743 empresas, segundo levantamento da Serasa Experian.

É a primeira vez que o setor assume essa posição.

E não é um movimento isolado.

Por trás do número, está a combinação que já vinha sendo desenhada nas últimas semanas:

  • crédito mais restrito
  • custo elevado
  • volatilidade de preços
  • clima instável

Tradução direta: o agro não quebrou. Mas começou a pedir socorro.

E quando o setor mais resiliente da economia entra nessa estatística, o sinal deixa de ser pontual. Passa a ser estrutural.

Propriedade entra no centro do debate e Congresso reage

Em meio ao aumento de conflitos no campo, a Câmara instalou a Subcomissão de Direito de Propriedade e Regularização Fundiária.

O colegiado terá relatoria do Pedro Lupion e a vice-presidência será do Rafael Pezenti.

E o tom já veio definido.

Lupion sinalizou que o foco será sair do discurso e avançar em propostas concretas:

“Nosso papel será consolidar um diagnóstico claro da situação fundiária e apresentar soluções legislativas que garantam o direito de propriedade e reduzam os conflitos no campo.”

Pezenti reforçou o eixo central da discussão:

“É fundamental restabelecer a segurança jurídica para que o produtor tenha tranquilidade para investir e produzir.”

A subcomissão terá prazo inicial de 180 dias e deve atuar em três frentes:

  • levantamento de conflitos fundiários
  • fiscalização da atuação de órgãos públicos
  • construção de propostas legislativas

Leitura política: segurança jurídica voltou ao topo da agenda e não por acaso.

Pequeno produtor entra na pauta com novas regras de acesso

Avançou na Câmara o PL 4.705/2025, que atualiza critérios de acesso a políticas públicas.

O texto aprovado na Comissão de Agricultura busca:

  • exigir comprovação de posse ou propriedade
  • reforçar critérios de regularidade
  • aumentar transparência na destinação de recursos

A proposta tem tramitação conclusiva.

Se aprovada na CCJ, segue direto ao Senado.

Segundo o relator, o objetivo é claro: garantir que os recursos cheguem a quem realmente produz.

Na prática: menos distorção e mais filtro.

Combustível entra no radar e FPA pressiona por fiscalização

A Câmara aprovou o PLP 109/2025, que amplia os poderes da Agência Nacional do Petróleo para cruzamento de dados fiscais.

A proposta permite:

  • acesso a notas fiscais eletrônicas
  • rastreamento de produção e comercialização
  • identificação de fraudes e inconsistências

Para a Frente Parlamentar da Agropecuária, a medida é estratégica.

O deputado Pedro Lupion foi direto:

“É necessário fortalecer as agências reguladoras na ponta da fiscalização para combater irregularidades no mercado.”

Tradução: combater fraude também é política agrícola.

Pressão funciona: governo recua e reavalia regra do Prodes

Depois de uma semana de forte reação do setor, o governo já admite rever a exigência de validação via Prodes para concessão de crédito rural.

O secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, foi claro:

“A ferramenta ainda não tem a acuidade necessária para vetar acesso ao crédito. Do jeito que está, gera insegurança.”

Hoje, a regra obriga bancos a verificarem alertas de desmatamento para liberar financiamento.

O problema:

  • risco de falso positivo
  • bloqueio de produtores regulares
  • insegurança jurídica

Nos bastidores:

  • projetos para sustar a regra podem ser votados
  • a Febraban defende a medida
  • o setor produtivo pressiona pela revisão

Resultado: a regra ainda está em disputa.

Novo comando no Mapa, perfil técnico assume a operação

O Ministério da Agricultura e Pecuária ganha um novo nome no comando operacional.

Cleber Soares assume como secretário-executivo da pasta.

Com trajetória na Embrapa e passagem pela área de inovação do ministério, chega com perfil técnico e foco em gestão.

Entre os desafios:

  • reorganizar políticas públicas
  • lidar com pressão sobre crédito e seguro
  • equilibrar sustentabilidade e produção

Em outras palavras: vai pegar o agro em um dos momentos mais sensíveis dos últimos anos.

Quando o agro pede recuperação, o problema já chegou

O agro sempre foi o setor que sustentava a economia nos momentos de crise.

Agora, começa a aparecer nos dados como setor em dificuldade.

Não por falta de produção. Mas por falta de margem, previsibilidade e estabilidade.

A discussão sobre crédito, propriedade e regras ambientais mostra uma coisa: o problema deixou de ser técnico. Virou político.

E quando isso acontece, a solução não vem da lavoura, vem de Brasília.

Boa semana, Agroamigos!

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