2 de fevereiro de 2026

Abre-alas: Brasília volta ao trabalho e o agro entra no ritmo de 2026

Passou o recesso, acabou o ensaio.

Fevereiro começa com o Congresso e o Judiciário de volta ao palco e o agronegócio novamente no centro da cena.

Se janeiro foi mês de ajuste fino, fevereiro inaugura o ano político de verdade, com pautas que vão muito além do calendário agrícola e passam direto por segurança jurídica, crédito, tributação, mercado externo e clima.

Entre confetes de Carnaval e discursos de retomada, o agro entra em 2026 num ambiente menos permissivo e mais estratégico.

O crescimento deixou de ser consequência automática da escala. Agora, depende de decisão, articulação e leitura correta de Brasília.

Congresso volta com pauta cheia e pressão dobrada

Com o fim do recesso nesta segunda-feira, dia 2, Câmara dos Deputados e Senado Federal retomam os trabalhos com uma fila de temas sensíveis ao campo.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) entra no ano com três prioridades claras: endividamento rural, crédito e segurança jurídica.

O destaque imediato é a securitização das dívidas rurais, que segue em tramitação no Senado.

O PL 320/2025, do senador Luiz Carlos Heinze, já aprovado na Comissão de Agricultura, aguarda análise na Comissão de Assuntos Econômicos. A proposta prevê alongamento de dívidas por até 20 anos, com carência e juros diferenciados. O recado da FPA é direto: não se trata de perdão, mas de condição mínima de sobrevivência produtiva.

Na Câmara, ganham tração projetos ligados à regularização fundiária e ao georreferenciamento, com forte atuação de parlamentares catarinenses.

Em 2025, a Comissão de Agricultura aprovou textos que ampliam prazos e reduzem entraves técnicos sinal de que o tema volta com força em 2026.

Crédito, seguro e custo: o tripé que decide a safra

Outro eixo central do retorno legislativo é o crédito rural. Juros elevados, seletividade bancária e dependência crescente de instrumentos privados como os FIAGROS (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) colocam o financiamento no centro da estratégia do produtor.

A FPA já avisou que vai acompanhar de perto a execução do Plano Safra, a equalização de juros e o orçamento do seguro rural, cada vez mais pressionado por eventos climáticos extremos.

Em 2026, clima deixou de ser risco eventual e virou variável permanente do custo de produção.

STF começa o ano com o agro na pauta

Se o Congresso volta cheio, o Supremo Tribunal Federal (STF) também. O calendário do Judiciário para fevereiro coloca o agronegócio no centro de decisões estruturais.

Logo no início do mês, a Corte retoma discussões sobre tributação da produção rural, licenciamento ambiental, aquisição de terras por estrangeiros e o peso de acordos privados de sustentabilidade sobre políticas públicas.

Não são debates periféricos: são julgamentos capazes de reordenar investimentos, contratos e o valor da terra.

Para o setor, a mensagem é clara: acompanhar o STF deixou de ser tarefa de advogado virou fator estratégico de gestão.

Mercado externo, clima e geopolítica seguem no radar

No pano de fundo, o cenário internacional segue instável. Tensões geopolíticas, protecionismo crescente e dependência de insumos importados mantêm o alerta ligado.

Mesmo após um 2025 recorde em exportações, o agro entra em 2026 pressionado por custos, câmbio mais valorizado e margens mais estreitas.

É nesse ambiente que temas como acordo Mercosul–União Europeia, expansão de mercados, defesa sanitária e infraestrutura logística retornam à agenda legislativa e dialogam diretamente com o produtor rural, com o campo e com o tabuleiro do agronegócio.

O ano começa agora

Fevereiro chega com cara de largada. O Carnaval abre alas, mas quem desfila mesmo é a pauta do agro: técnica, política e cada vez mais jurídica. Em 2026, produzir bem continua essencial mas não suficiente.

Quem não entender Brasília, o STF e o mercado global corre o risco de produzir certo e perder no detalhe.

A politicaeagro entra no mês acompanhando cada passo, direto de Brasília.

Boa segunda-feira e bom fevereiro, Agroamigos.

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