08/04/2026

Silvia Zanette detalha os bastidores do Bairro da Juventude no programa Histórias Catarinenses

A diretora executiva do Bairro da Juventude, Silvia Zanette, detalhou a evolução e os bastidores de um dos maiores projetos sociais de Criciúma no quarto episódio da primeira temporada do programa Histórias Catarinenses, uma produção da Unesc TV com apresentação do jornalista Upiara Boschi.

Na entrevista, ela resgatou a origem da instituição, criada em 1949 pelo Rotary para abrigar órfãos da mineração de carvão, e a posterior transição do modelo administrado por padres rogacionistas italianos para a atual gestão comunitária, implementada em 1975. O objetivo dessa mudança foi garantir perenidade institucional e blindar a estrutura de ensino contra as trocas de gestão política a cada ciclo eleitoral.

Hoje, o projeto ocupa uma área construída que saltou de menos de mil para 17 mil metros quadrados e atende em tempo integral cerca de 1.600 crianças e adolescentes, desde bebês de quatro meses a jovens de 18 anos vindos de áreas de vulnerabilidade social. O impacto da instituição na economia local se consolida pela alta taxa de empregabilidade gerada por seus sete cursos profissionalizantes, que incluem áreas como mecânica, gastronomia, tecnologia da informação e eletroeletrônica. Segundo a diretora, o índice de encaminhamento ao mercado de trabalho atinge até 94%, com as empresas indo até a instituição buscar os alunos antes mesmo da formatura.

Para Silvia, o trabalho executado ultrapassa o assistencialismo, operando sob a premissa de que a entidade não busca apenas fazer caridade, mas gerar transformação e dignidade. Essa visão se reflete na exigência de manter os espaços de aprendizado bonitos, iluminados e coloridos, funcionando como um fator de motivação para jovens que enfrentam realidades duras e estimulando a vontade de frequentar as aulas. A estratégia de retenção também envolve um combate ativo à evasão, especialmente diante dos desafios da atual geração superestimulada digitalmente. A instituição mantém equipes de assistência social preparadas para visitar a casa de qualquer aluno que falte três dias seguidos, buscando entender e resolver pela raiz os problemas cotidianos que muitas vezes os afastam da escola por vergonha.

Com mais de quatro décadas de dedicação ao Bairro da Juventude, Silvia relatou que chegou ao local inicialmente como voluntária enquanto buscava emprego na região. Engenheira agrônoma de formação, ela acabou absorvida pela rotina do projeto e permanece na instituição até hoje, destacando que encontrou ali uma forma diferente de exercer sua profissão original, dedicando a vida a plantar conhecimento e oportunidades na estrutura que ajudou a consolidar ao longo dos anos.

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