
Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), a coluna destaca duas lideranças femininas que ajudam a projetar Santa Catarina no cenário nacional do agronegócio.
De um lado, a médica veterinária Celles Regina de Matos, presidente da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), que abriu as portas da instituição para uma entrevista exclusiva ao Política e Agro, conduzida pela jornalista Ketrin Raitz. Na conversa, Celles detalha como a estratégia de sanidade animal e vegetal transformou o estado em referência mundial de qualidade e controle sanitário.
De outro, a catarinense Tania Zanella, presidente executiva do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) e do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), reconhecida pela Forbes Brasil como uma das 16 mulheres mais poderosas do país um reconhecimento que reforça o protagonismo feminino na liderança do cooperativismo e na agenda do agronegócio brasileiro.
Entre sanidade, cooperativismo e produção recorde, o agro segue mostrando por que continua sendo um dos principais motores da economia nacional.
Sanidade que abre mercados
O modelo catarinense explicado por Celles Regina de Matos
Na entrevista exclusiva ao Política e Agro, a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos, detalhou o trabalho técnico que transformou Santa Catarina em uma das maiores referências sanitárias do agronegócio mundial.
Segundo ela, o diferencial catarinense está na combinação de prevenção, fiscalização e orientação direta ao produtor, garantindo alimentos seguros, competitividade e acesso aos mercados internacionais.
“A Cidasc nasceu para atender o agro e eu também. Venho de mais de 30 anos de experiência ligados à produção e à saúde única: humana, vegetal, animal e ambiental”, afirmou.
A entrevista completa será publicada nesta sexta-feira no YouTube do Política e Agro.
Febre aftosa: estratégia que abriu mercados
Um dos pilares da credibilidade sanitária catarinense foi o combate à febre aftosa.
O trabalho começou ainda nas décadas de 1980 e 1990 com campanhas intensivas de vacinação e monitoramento nas propriedades rurais. O esforço culminou em 2007, quando Santa Catarina foi reconhecida internacionalmente como primeiro estado brasileiro livre de febre aftosa sem vacinação, certificado pela Organização Mundial de Saúde Animal.
O status sanitário foi decisivo para abrir mercados internacionais e consolidar o estado como potência na exportação de proteínas animais.
Controle sanitário que virou referência nacional
A experiência catarinense virou modelo para o país. Segundo Celles, equipes de diversos estados visitam Santa Catarina para entender o sistema de controle sanitário, especialmente no combate à brucelose e tuberculose bovina.
O estado apresenta a menor incidência dessas doenças no rebanho leiteiro brasileiro, um fator crucial tanto para a saúde pública quanto para a competitividade da produção.
A meta agora é alcançar a certificação A3, nível máximo de controle sanitário, que classificaria o risco dessas doenças como praticamente inexistente.
Tabaco, COP e o desafio da transição produtiva
Celles também participou das discussões internacionais sobre tabaco na Conferência das Partes (COP 11), realizada na Suíça, onde o tema da redução da produção foi amplamente debatido.
Para ela, qualquer transição produtiva precisa considerar a realidade das pequenas propriedades do Sul do Brasil.
Em Santa Catarina, cerca de 40 mil famílias dependem economicamente da cadeia do tabaco, muitas delas em pequenas propriedades familiares.
A avaliação é clara: a mudança precisa ser gradual, estruturada e acompanhada por políticas públicas que garantam alternativas econômicas viáveis para os produtores.
Corredores sanitários e tecnologia na fiscalização
Um dos projetos mais ambiciosos da Cidasc para 2026 é a modernização da vigilância sanitária no trânsito de cargas agropecuárias.
Santa Catarina já possui um sistema de barreiras sanitárias considerado referência internacional. Agora, o estado vai evoluir para um modelo mais tecnológico e integrado.
Entre as novidades estão:
• equipes móveis de fiscalização
• uso de drones em áreas de fronteira
• câmeras OCR para leitura automática de placas
• monitoramento em tempo real das cargas
• integração com polícia, Detran e Secretaria da Fazenda
A estratégia cria verdadeiros “corredores sanitários” nas rodovias catarinenses.
“Nenhum estado jamais teve um controle nessa quantidade e distribuição como Santa Catarina”, destacou Celles.
O objetivo é simples: proteger o status sanitário que permite ao estado exportar para quase 200 países.
Mulheres que inspiram o agro Tania Zanella entra na lista da Forbes
A catarinense Tania Zanella, presidente executiva do Sistema OCB e do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), foi reconhecida pela Forbes Brasil como uma das 16 mulheres mais poderosas do país.
Natural de Ipumirim (SC), Tania construiu uma trajetória marcada pelo pioneirismo no cooperativismo brasileiro.
Ela foi:
• a primeira mulher presidente executiva do Sistema OCB
• a primeira mulher a presidir o Instituto Pensar Agropecuária
• uma das principais articuladoras institucionais do cooperativismo em Brasília
A homenagem reforça o peso do cooperativismo na economia brasileira e a crescente presença feminina em posições estratégicas.
“Representar o cooperativismo brasileiro e ter esse trabalho reconhecido mostra que estamos no caminho certo”, afirmou Tania.
Agro puxa o PIB brasileiro
Enquanto a política discute reformas e ajustes fiscais, o campo segue fazendo sua parte.
Dados divulgados pelo IBGE mostram que a agropecuária foi o setor que mais cresceu no Brasil em 2025.
Crescimento do PIB em 2025
• Agropecuária: 11,7%
• Serviços: 1,8%
• Indústria: 1,4%
O desempenho foi impulsionado principalmente pela agricultura.
Destaques da produção:
milho: +23,6%
soja: +14,6%
O avanço ajudou a elevar o PIB brasileiro para R$ 12,7 trilhões, consolidando o agro como um dos principais motores da economia nacional.
Tecnologia no campo
O Sistema CNA/Senar e a Federação da Agricultura de São Paulo (Faesp) estão construindo em São Roque (SP) o primeiro Centro de Excelência em Tecnologia Rural do Senar.
O projeto terá:
• 9 mil m² de estrutura
• 24 cursos técnicos
• capacidade para formar até 5 mil alunos por ano
A iniciativa vai integrar inteligência artificial, conectividade e Internet das Coisas (IoT) na formação profissional voltada ao campo.
A previsão de conclusão é 2026.
Quando mulheres lideram, o agro avança
Na semana que antecede o Dia Internacional da Mulher, duas lideranças catarinenses mostram que competência, gestão técnica e visão estratégica fazem a diferença no agro de Santa Catarina e do Brasil.
Da sanidade animal à articulação institucional do cooperativismo, Santa Catarina segue exportando mais que alimentos: exporta modelo de gestão, organização e liderança.
Uma ótima sexta-feira a todos os Agroamigos e, em especial, às Agroamigas, produtoras rurais e mulheres que fazem do campo a sua casa, alimentando seus filhos e o mundo.






