21/02/2026

Feminicídio: o resultado de uma educação machista que ainda violenta SC. Por Jean Volpato

Jean Volpato (PT) é vereador em Blumenau.

Jean Volpato (PT) é vereador em Blumenau.

Os casos de feminicídio têm se tornado cada vez mais frequentes em Santa Catarina, revelando um problema que vai muito além da violência individual. O feminicídio é o sintoma mais extremo de uma cultura machista e patriarcal que ainda define o papel de homens e mulheres desde a infância e que, silenciosamente, ensina a desigualdade como algo natural.

Muitos homens ainda são educados para acreditar que precisam dominar, controlar e impor autoridade. Desde pequenos, ouvem que “homem não chora”, que “mulher decente obedece” e que o amor se mede por ciúme e posse. Essa criação forma adultos que confundem afeto com controle, respeito com poder e relacionamento com propriedade. Quando a mulher rompe esse padrão, o homem que não aprendeu a lidar com frustração enxerga a perda como ofensa e reage com violência.

As mulheres também são vítimas dessa mesma estrutura patriarcal. Desde cedo, aprendem a agradar, a ceder e a compreender. São ensinadas a cuidar de tudo e de todos, menos de si mesmas. Escutam que o amor exige paciência, que “homem é assim mesmo” e que o dever delas é manter o lar e a família unida, mesmo que isso custe sua liberdade ou sua segurança. Essa educação molda gerações de mulheres que, muitas vezes, carregam a culpa, o medo e a responsabilidade por uma violência que nunca foi delas.

O feminicídio não nasce do nada. Ele é o ponto final de uma história que começa dentro de casa, na escola, na igreja e nas conversas do cotidiano. Combatê-lo exige mais do que endurecer leis. Exige transformar mentalidades e educar meninos e meninas para o respeito mútuo, a igualdade e a empatia.

Enquanto Santa Catarina continuar tratando o machismo como tradição ou “coisa normal”, seguiremos chorando por mulheres que morreram simplesmente porque “ousaram” ser livres.

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