11/03/2026

Quando a política ganha cor: o significado da Galeria Lilás e o avanço das mulheres no Legislativo

Liliane da Frada, Vanessa Falk, Tânia Larson e Vanessa da Rosa entram na galeria das vereadoras eleitas

Há símbolos que parecem pequenos, mas revelam mudanças profundas. A atualização da chamada Galeria Lilás, no corredor principal da Câmara de Vereadores de Joinville, é um desses sinais. As fotos das vereadoras, que antes estavam em preto e branco, agora passam a ser exibidas em cores. À primeira vista, pode parecer apenas uma mudança estética. Na prática, representa algo maior: a lenta, mas importante, ampliação da presença feminina na política local.

A mudança ocorre justamente em um momento emblemático. Nas eleições municipais de 2024, quatro mulheres foram eleitas vereadoras em Joinville, o maior número da história do Legislativo da cidade. Integram essa bancada Tânia Larson (União Brasil), Liliane da Frada (Podemos), Vanessa Falk (Novo) e Vanessa da Rosa (PT). Elas compõem a ala feminina em um plenário formado por 19 cadeiras.

Ainda é pouco. Mas já representa um avanço em um ambiente que historicamente foi dominado por homens.

Maioria do eleitorado e ainda pouco representada

A política brasileira, aliás, ainda carrega um paradoxo evidente. As mulheres são maioria no eleitorado, representando cerca de 52% dos eleitores do país, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. Mesmo assim, continuam sub-representadas nos espaços de poder.

No Congresso Nacional, os números ajudam a entender o tamanho da desigualdade. Atualmente, apenas 18,7% da Câmara dos Deputados é composta por mulheres — 93 parlamentares entre 513 cadeiras. No Senado, elas ocupam 19,8% das vagas, com apenas 16 senadoras entre os 81 integrantes da Casa.

O cenário brasileiro também chama atenção no contexto internacional. De acordo com dados da União Interparlamentar e da ONU Mulheres, o Brasil ocupa apenas a 133ª posição no ranking mundial de participação feminina no Parlamento, muito abaixo da média global, que gira em torno de 27% de mulheres nas casas legislativas.

Ou seja: mesmo sendo a maior democracia da América Latina, o país ainda está longe de refletir, na política, a composição real da sociedade.

Ambiente majoritariamente masculino apresenta barreiras

Nos últimos anos, algumas medidas buscaram corrigir essa distorção. A legislação eleitoral exige que ao menos 30% das candidaturas apresentadas pelos partidos sejam femininas e determina a reserva de recursos do fundo eleitoral e do tempo de propaganda para candidatas.

Mas as barreiras continuam. Muitas mulheres enfrentam dificuldades internas dentro dos partidos, menor acesso a financiamento de campanha e um ambiente político ainda marcado por práticas e estruturas tradicionalmente masculinas.

Mudança na Galeria Lilás tem valor simbólico

Atualização fotos Galeria Lilás. A partir de agora as fotos das vereadoras ganham cor.

Quando a Galeria Lilás de Joinville troca o preto e branco pelas cores, ela não está apenas atualizando fotografias. Está registrando um processo histórico: a lenta entrada das mulheres em um espaço que, por décadas, lhes foi quase fechado. Ainda não é igualdade. Está longe disso, mas começam a haver avanços.

Agora em abril Joinville também terá a primeira mulher prefeita em 175 anos de história. Um marco histórico. A vice-prefeita Rejane Gambin assume a Prefeitura com a renúncia do prefeito Adriano Silva. Na política, assim, como na fotografia, toda mudança começa quando a imagem ganha cor e a mudança tem todas as cores, não só o rosa ou lilás.

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