A participação do secretário de Articulação Internacional de Santa Catarina, Paulo Bornhausen, no encontro “SC: o Norte encontra o Norte” consolidou que o futuro do estado passa por planejamento para o longo prazo, integração regional e novas formas de financiamento para infraestrutura.

O evento realizado em Joinville pela ACIJ, em parceria com AMUNESC, FACISC, FIESC e Univille, reuniu lideranças políticas, prefeitos, associações municipais e representantes institucionais do Norte catarinense em torno de uma pauta comum — encontrar soluções coordenadas para desafios que já ultrapassam os limites de um único município e exigem visão regional.
Em sua fala, Bornhausen partiu de um diagnóstico direto sobre o cenário brasileiro. Segundo ele, o país ainda apresenta grande fragilidade na capacidade de transformar acordos e intenções em planejamento consistente e execução continuada. Ao comparar com experiências internacionais, como Singapura, destacou a importância de antecipar o futuro com clareza, com projetos estruturados, metas definidas e previsibilidade na implementação.
Polos econômicos devem ser ligados entre si
Esse ponto serviu de base para um dos principais eixos de sua apresentação: a necessidade urgente de integração entre os polos econômicos de Santa Catarina. Ao abordar o corredor formado por Florianópolis, Blumenau e Joinville, região que concentra cerca de 70% do PIB e da população do estado, o secretário alertou para o risco de colapso da mobilidade caso não haja planejamento imediato.

A discussão sobre mobilidade foi além do curto prazo. Bornhausen destacou que o crescimento populacional acelerado, impulsionado por um fluxo migratório intenso para Santa Catarina, exigirá soluções estruturantes, como corredores dedicados e sistemas de transporte de média e alta capacidade. Segundo ele, a ausência de planejamento hoje pode tornar inviável, no futuro, a implantação dessas soluções, especialmente pelo alto custo de desapropriações e adaptações urbanas.
Articulação com o Banco Mundial qualifica projetos
Dentro dessa estratégia, ele destacou a atuação do governo de Jorginho Mello na articulação internacional. Bornhausen relatou a agenda em Washington, em maio de 2025, como um marco na relação institucional com o Banco Mundial, com análise aprofundada de projetos estruturantes e sinalização concreta para apoio técnico e financeiro.
Segundo ele, o papel do Banco não se limita ao financiamento, mas também à qualificação dos projetos e à orientação estratégica, garantindo que as iniciativas tenham viabilidade de longo prazo e impacto regional. A autorização para início de estudos em regiões como Florianópolis, Joinville e Blumenau representa, nesse contexto, um avanço relevante na construção de soluções integradas.
Outro ponto central da fala foi a defesa do modelo de consórcios multifinalitários como instrumento de governança regional. Ao citar o caso da região de Itajaí, o secretário explicou como a estruturação de um consórcio permitiu superar entraves institucionais e criar condições para acessar financiamento internacional, inclusive com reconhecimento formal por organismos como o COFIEX.
Consórcios multifinalitários no futuro da governança regional
Esse modelo, segundo Bornhausen, pode representar um novo caminho para Santa Catarina, ao permitir que municípios se organizem de forma conjunta, ganhem escala e viabilizem projetos de maior impacto, com apoio complementar do Estado, tanto financeiro quanto político.
Ao longo da fala, também ficou evidente a valorização do papel das entidades regionais e associações de prefeitos, vistas como peças-chave para garantir continuidade às agendas estruturantes. Para o secretário, essas instituições têm capacidade de atravessar ciclos eleitorais e manter o foco em projetos de longo prazo.
“Olhar para o futuro não dá voto, mas dá qualidade de vida”
Encerrando sua participação, Bornhausen sintetizou o desafio colocado às lideranças públicas: “olhar para o futuro não dá voto, mas dá qualidade de vida”. A frase resume a necessidade de conciliar agenda política com responsabilidade estratégica, garantindo que o crescimento de Santa Catarina seja acompanhado por infraestrutura, planejamento e integração compatíveis com sua dinâmica econômica e demográfica.





