
Menos plenário, mais mercado
Brasília ainda acorda devagar do Carnaval, mas o agro já voltou ao ritmo de mercado: as exportações de janeiro bateram US$ 10,8 bilhões, o governo põe a Índia no centro da estratégia de abertura de mercados para feijão e frango.
Santa Catarina entra no programa da Amazônia Azul com dezenas de municípios elegíveis, a Embrapa moderniza o Zarc para reduzir risco climático no plantio e o Itaipu Rural Show abre as porteiras em Pinhalzinho.
O recado é simples: enquanto a política recompõe agenda, o campo segue vendendo, negociando e planejando safra.
Agro exporta US$ 10,8 bi em janeiro: volume sobe, preço aperta
As exportações do agronegócio brasileiro alcançaram US$ 10,8 bilhões em janeiro de 2026, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) 3º maior janeiro da série histórica e 42,8% de tudo o que o Brasil exportou no mês.
O volume embarcado cresceu 7%, mas a receita recuou 2,2% frente a janeiro de 2025, reflexo de preços internacionais mais baixos.
O superávit do setor fechou em US$ 9,2 bilhões, com importações em queda. Carnes lideraram (US$ 2,58 bi), seguidas por complexo soja (US$ 1,66 bi), produtos florestais, cereais/farinhas e café.
China seguiu como principal destino (US$ 2,1 bi), à frente de União Europeia e Estados Unidos; o Sudeste Asiático (ASEAN) ampliou compras, mostrando diversificação de mercado.
A leitura do Mapa é clara: mais produtos entraram nos mercados, mas a conta só fecha melhor quando o preço também ajuda.
Agro mira feijão e tarifa de frango na viagem de Lula à Índia
A missão presidencial à Índia colocou o agro no centro da agenda: abertura sanitária para o feijão guandu e redução das tarifas indianas para cortes de frango, hoje em torno de 100%.
O governo trabalha a ideia de previsibilidade comercial (cotas) e amplia o pacote de tratativas para DDG do etanol de milho, farinhas de origem animal, madeira e erva-mate, enquanto o lado indiano busca acesso para romã no Brasil.
A corrente de comércio bilateral gira em US$ 12 bilhões/ano, com meta oficial de chegar a US$ 20 bilhões até o fim da década.
A presença presidencial busca destravar o que a técnica já avançou. Na sequência, a agenda inclui Coreia do Sul, com tentativa de reabrir o diálogo para carne bovina brasileira mercado que paga prêmio e exige sanidade de manual.
Amazônia Azul: SC entra no programa e litoral ganha agenda 2026–2028
O governo federal instituiu o Programa de Desenvolvimento Econômico Sustentável para a Amazônia Azul, voltado a 757 municípios litorâneos em 17 estados, com foco em pesca artesanal, aquicultura familiar, turismo de base comunitária, bioeconomia e infraestrutura portuária de pequeno porte.
Santa Catarina tem dezenas de municípios elegíveis ao programa (do Norte ao Sul do litoral), com prioridade definida por vulnerabilidade social, dependência econômica do mar e risco climático.
A agenda 2026–2028 prevê ações pactuadas com prefeituras, recursos do OGU, fundos constitucionais, BNDES e fontes internacionais, e governança participativa.
Se sair do papel, SC terá a chance de alinhar economia do mar com renda, sanidade e adaptação climática.
Zarc de cara nova: Embrapa moderniza o painel das janelas de plantio
A Embrapa atualizou o Painel do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), com interface mais rápida e navegação intuitiva para consultar municípios aptos e janelas de semeadura conforme as portarias publicadas no DOU.
Na prática, é redução de risco climático na decisão de plantio ferramenta técnica que vira dinheiro no bolso quando o clima aperta.
Itaipu Rural Show (Pinhalzinho-SC) abre a porteira
O 27º Itaipu Rural Show, em Pinhalzinho (SC), reúne produtores, empresas e lideranças de 18 a 21 de fevereiro.
O Sebrae/SC entra com foco em inovação, gestão rural, encadeamento produtivo, turismo e sucessão familiar, com agenda de palestras, conexões corporativas e visitas técnicas (inclusive à indústria de lácteos da Aurora Coop).
Termômetro do Oeste catarinense para medir investimento em 2026: menos euforia, mais tecnologia aplicável.
Vender, abrir mercado e reduzir risco
Pós-Carnaval não é hora de discurso: é hora de vender melhor, abrir mercado e reduzir risco na lavoura.
Janeiro mostrou que o agro consegue empurrar volume; agora precisa de preço, acesso e previsibilidade.
Índia e Coreia entram no radar, o Zarc ajuda a errar menos, o litoral catarinense ganha agenda e Pinhalzinho vira vitrine de solução prática.
O campo voltou ao trabalho a política que acompanhe.





