Durante o CREA Summit, realizado nesta semana em Balneário Camboriú, a presidente da ACAFE e reitora da FURB, Marcia Sardá Espíndola, destacou um cenário que mistura avanço e alerta na formação de engenheiros em Santa Catarina. Se por um lado os cursos voltaram a crescer com força a partir de 2024, por outro a evasão ainda representa um dos principais entraves para atender à demanda do mercado.

Com a palestra “Ensino da Engenharia: evasão dos cursos e pesquisa na área”, Márcia apresentou dados que mostram a retomada do interesse pelas engenharias, especialmente impulsionada por políticas públicas como o Universidade Gratuita. Após anos de queda no número de concluintes desde 2018, a curva voltou a subir e segue em crescimento.
“O que estamos vendo agora é uma virada importante. Quando há incentivo, há resposta. Programas como o Universidade Gratuita ampliam o acesso e colocam mais estudantes dentro das engenharias. Isso é fundamental para o desenvolvimento do estado”, afirmou.
Segundo ela, em alguns cursos o aumento nas matrículas chega a 45% entre 2025 e 2026, sinalizando um novo momento para a formação de profissionais na área. O movimento é estratégico para Santa Catarina, que mantém uma economia industrial forte e demanda crescente por engenheiros.
Apesar do avanço, a reitora reforçou que o desafio não está apenas em atrair estudantes, mas em garantir que eles concluam a graduação. A evasão média nos cursos de engenharia gira em torno de 17%, o que significa que cerca de um em cada cinco alunos desiste no meio do caminho.
“Estamos conseguindo colocar mais alunos dentro da universidade, mas ainda precisamos garantir que eles permaneçam. O problema não é falta de oferta ou de interesse, é permanência. E isso passa também por uma base educacional mais sólida, especialmente em matemática”, destacou.
Outro destaque da palestra foi a força da pesquisa aplicada nas engenharias catarinenses, com atuação em áreas estratégicas como energia e sustentabilidade, inteligência artificial, inovação industrial e saúde. Projetos envolvendo energias renováveis, cidades inteligentes, mobilidade elétrica, biomateriais e IA aplicada demonstram o potencial do estado em conectar ensino, tecnologia e futuro.
Para Márcia, o momento exige continuidade das políticas públicas e integração entre educação básica, ensino superior e setor produtivo. “Santa Catarina já mostrou que tem capacidade de resposta. O acesso voltou a crescer. Agora, o desafio é transformar esse acesso em formação. Não podemos desperdiçar talentos”, concluiu.
O evento também contou com a participação do reitor da Unochapecó, Cláudio Alcides Jacoski, que abordou o papel das universidades comunitárias na formação de profissionais qualificados e no fortalecimento do desenvolvimento regional, reforçando a importância de iniciativas que ampliem o acesso e sustentem a permanência no ensino superior.
Para o reitor, as universidades comunitárias, reunidas na ACAFE, são protagonista nesse processo. Com forte presença regional, foco na inovação e conexão com o setor produtivo, o modelo contribui para formar profissionais alinhados às necessidades da economia local.
“As comunitárias estão no território, próximas das empresas e das demandas reais. Isso fortalece a formação e gera impacto direto no desenvolvimento regional”, explicou.






