O setor de cebolicultura em Santa Catarina, responsável por cerca de 25% da produção nacional, enfrenta uma crise de rentabilidade que ameaça a continuidade da atividade no Sul do Brasil. O deputado federal Pezenti (MDB-SC) levou o tema ao Plenário da Câmara nesta semana, utilizando exemplares do produto para contrastar os preços: enquanto o consumidor em Brasília paga R$ 9,90 pelo quilo, o agricultor na ponta recebe valores que oscilam entre R$ 0,80 e R$ 0,40. Em casos extremos, a produção é descartada como adubo por falta de compradores.

Segundo o deputado, esta é a segunda safra consecutiva em que os produtores trabalham abaixo do custo de produção. A situação afeta diretamente a economia do Alto Vale do Itajaí, onde a produção é majoritariamente familiar. O Brasil produz anualmente 1,5 milhão de toneladas de cebola, mas a distorção de preços e o endividamento do setor têm levado agricultores a abandonarem o campo.
O prefeito de Atalanta e presidente da AMAVI, Cláudio Volnei Sens, confirmou, segundo a assessoria do deputado, que os municípios da região devem decretar situação de emergência econômica, visto que a queda na renda agrícola impacta diretamente o comércio e a arrecadação local.
Reivindicações do Setor Produtivo
A Associação dos Produtores de Cebola de Santa Catarina (APROCESC) apresentou ao governo federal uma lista de demandas emergenciais para evitar o colapso da cadeia produtiva:
- Prazos de custeio: Extensão do período de pagamento para evitar que o produtor seja refém de preços baixos logo após a colheita.
- Ajuste no PGPAF: Elevação do bônus do Programa de Garantia de Preço para a Agricultura Familiar, hoje limitado a R$ 5 mil, valor considerado insuficiente diante dos custos atuais.
- Endividamento: Prorrogação de dívidas com manutenção das taxas de juros originais.
- Seguro e crédito: Revisão das normas do Proagro, regularização das subvenções ao Seguro Rural e ampliação do acesso ao Pronaf e Pronamp.
Nesta sexta-feira (13), a Secretaria de Agricultura Familiar emitiu o Ofício nº 90/2026/SAF-MDA, autorizando a prorrogação e renegociação de financiamentos de custeio do Pronaf para os produtores catarinenses. Agricultores com operações ativas devem procurar as agências bancárias para formalizar a revisão das parcelas.
Paralelamente, a consultoria da Câmara dos Deputados auxilia na elaboração de projetos de lei que visam criar políticas públicas permanentes para socorrer produtores familiares em crises de mercado, buscando mecanismos que garantam suporte estatal sem interferência direta na livre formação de preços.






