
Fevereiro chegou com cara de largada oficial.
Enquanto o Congresso retoma os trabalhos e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) volta ao campo político, o agro enfrenta um choque entre norma, cultura e produtividade.
Do “fim do chapéu” imposto pela legislação trabalhista ao protagonismo mundial do cooperativismo catarinense, a semana mostra que 2026 começa exigindo adaptação e articulação.
Fim do chapéu? Norma obriga capacete em atividades de risco
A tradição não caiu, mas ganhou limite legal. A Norma Regulamentadora nº 31 (NR-31) estabelece que, em atividades de risco, o chapéu não substitui o capacete de segurança.
A exigência vale para a lida com animais de grande porte, trabalho em currais, bretes, troncos e embarcadouros, operação de máquinas, galpões e estruturas com risco de queda de objetos.
A norma não proíbe o chapéu, mas exige capacete com Certificado de Aprovação (CA) quando houver risco de impacto, queda ou choque.
O ponto sensível: a responsabilidade é da fazenda, mesmo quando o trabalhador se recusa a usar o EPI. Autuações, multas e responsabilização recaem sobre o empregador.
A intensificação da fiscalização veio após acidentes graves e fatais, inclusive em atividades montadas. Tecnicamente, a medida reduz traumatismos cranianos e lesões faciais. Na prática, esbarra na resistência cultural e acende o alerta para perda de mão de obra, especialmente entre trabalhadores mais antigos.
Zé Trovão reage e promete ações para derrubar a exigência
O deputado Zé Trovão (PL-SC) usou as redes sociais para criticar a interpretação da NR-31 e anunciou que entrará com medidas legislativas ainda nesta semana. Disse:
“É inacreditável que a interpretação da NR 31 queira burocratizar o uso do chapéu na lida do campo e da pecuária. Quem cria essas regras no ar-condicionado não sabe o que é passar o dia debaixo do sol quente. (…) Menos atrapalho, mais bom senso. Deixem quem produz trabalhar em paz!”
Para o parlamentar, há risco de burocratização excessiva e até lobby. O embate entre segurança legal e cultura do campo promete ir a Brasília -agora com o Congresso de volta.
SC no topo do cooperativismo mundial
Enquanto a norma aperta, Santa Catarina acelera. Aurora Alimentos e Cooperativa Agroindustrial Alfa entraram para o World Cooperative Monitor 2025, ranking das 300 maiores cooperativas do mundo.
No indicador faturamento/PIB per capita, a Aurora aparece na 39ª posição e a Alfa na 89ª; no faturamento absoluto, 144ª e 267ª, respectivamente.
Para o presidente do Sistema OCESC, Vanir Zanatta, o reconhecimento confirma o modelo catarinense:
“A presença de duas cooperativas catarinenses entre as maiores do mundo é mais um destaque da força do nosso modelo de desenvolvimento, baseado em trabalho coletivo, gestão responsável e compromisso com as comunidades.”
O dado ganha peso ao lembrar que 21 cooperativas brasileiras estão no ranking prova de governança, escala e competitividade global.
Chuva ajudou em janeiro e fevereiro pede cautela
O Boletim de Monitoramento Agrícola da Companhia Nacional de Abastecimento indica que as chuvas de janeiro preservaram a umidade do solo e favoreceram soja e milho.
Para fevereiro, o Instituto Nacional de Meteorologia projeta contraste climático: Norte e Sudeste mais úmidos; Sul e Centro-Oeste mais secos, com temperaturas acima da média.
Impacto direto no campo: risco de estresse hídrico em áreas do Sul (inclusive SC) durante enchimento de grãos, embora o tempo mais seco possa acelerar a colheita.
Planejamento fino será decisivo.
FPA retoma os trabalhos com pauta sensível
A Frente Parlamentar da Agropecuária realiza hoje (3) a primeira reunião do ano.
Na mesa: vetos presidenciais que afetam o setor (com destaque para Faixa de Fronteira e Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO), além de temas estratégicos como Tabela de Frete e Lei de Proteção de Cultivares (LPC).
A agenda marca o tom de 2026: menos discurso, mais execução.
Entre o EPI e a eficiência
Fevereiro abre com o agro entre regras mais duras e resultados de classe mundial. A lei pede capacete; o campo pede bom senso.
Santa Catarina mostra que governança e escala funcionam.
E Brasília volta a decidir. O ano começou agora, de verdade!





