01/04/2026

Arão adia e amadurece projeto de ser deputado

Entre as renúncias de prefeitos catarinenses neste período que antecede o prazo final de desincompatibilização para as eleições de outubro, uma decisão destoa: a do prefeito de Ascurra, Arão Josino da Silva (Novo).

Arão, com os pais Arão e Claudete da Silva, e o governador Jorginho Mello na posse como secretário / Foto: Jonathã Rocha/SECOM

Reeleito com 56% dos votos, Arão deixa o cargo não para disputar um mandato, mas para assumir a Secretaria de Planejamento do governo de Jorginho Mello (PL). Como é um setor, até agora, de pouca visibilidade no atual Governo, ele tem tudo para deixar a sua marca. 

A ascensão de Arão a um cargo de primeiro escalão no Governo do Estado é uma vitória, como a de tantos outros, da política na sua essência. Não é de família política tradicional e nem campeão de like nas redes sociais. 

Sua trajetória inicia como vereador mirim, passando por assessorias de Governos eprefeituras —até ser prefeito.

A expectativa natural era de que concorresse à Assembleia Legislativa ou à Câmara dos Deputados. Trata-se de uma das raras promessas jovens da política catarinense, forjada na prática administrativa e com trânsito em diferentes níveis de governo.

A decisão, no entanto, revela cálculo. Aos 33 anos — completa 34 em junho —, Arão parece optar por alongar o horizonte político. Deixar Ascurra, mesmo com alta aprovação, para enfrentar uma disputa regional pulverizada e competitiva seria, no limite, um movimento de alto risco e baixa previsibilidade.

Não se trata, necessariamente, de abdicar de um projeto parlamentar, mas de adiá-lo em condições mais favoráveis. Em 2018, antes de se eleger prefeito pela primeira vez, disputou uma vaga de deputado federal pelo PSD e somou 11.964 votos — desempenho relevante, mas insuficiente para um cargo proporcional de maior densidade eleitoral.

Ao migrar para o primeiro escalão do governo estadual, Arão reposiciona seu capital político. A aposta é clara: consolidar-se administrativamente, ampliar visibilidade e, sobretudo, “estadualizar” o próprio nome. Em um eventual segundo mandato de Jorginho Mello, em 2027, tende a se manter em posição estratégica — ou até avançar para funções de maior projeção.

De vereador mirim ao primeiro escalão

Apesar da idade, Arão não é um novato. Aos 13 anos, já atuava como vereador mirim em Blumenau. Posteriormente, em Florianópolis, onde cursou jornalismo, ingressou na militância partidária — ainda no período em que o atual PSD orbitava o DEM — e ocupou funções no governo de Raimundo Colombo.

Sua trajetória passa pela comunicação política em um momento de transição digital, quando redes sociais ainda eram incipientes no ambiente institucional. Atuou como mestre de cerimônias, produtor de conteúdo e, gradualmente, migrou para funções administrativas.

No governo Colombo, foi secretário-adjunto da Casa Civil e chefe de gabinete na área social. Após o ciclo estadual, acumulou passagens por administrações municipais, como São José e Timbó, antes de retornar a Ascurra para disputar — e vencer — a eleição de 2020.

O Novo entra no governo

Com a saída de Arão e de Adriano Silva, o Novo reduz sua presença municipal em Santa Catarina: de três prefeitos, passa a apenas um, em Corupá. Em contrapartida, amplia sua inserção no Executivo estadual.

A eventual reeleição da chapa liderada por Jorginho Mello tende a consolidar esse espaço — e pode transformar Arão em um dos quadros mais relevantes do partido no estado.

Caso Jorginho não se reeleja, o Novo deve rever sua estratégia no Estado. Trata-se, portanto, de uma escolha que privilegia o acúmulo político em detrimento do risco eleitoral imediato.

Os colunistas são responsáveis pelo conteúdo de suas publicações e o texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Upiara.