21/02/2026

A agenda externa ganhou ritmo, mas a doméstica ainda busca fôlego

Por Letícia Schlindwein da Agro Agência Catarina — direto de Brasília

Panorama da semana

Semana curta, mas com agenda cheia para o agro no pós-Carnaval.

Brasília retomou o ritmo lentamente, enquanto o campo acelerou no mercado: as exportações do agronegócio bateram US$ 10,8 bilhões em janeiro, com aumento de volume e pressão de preços.

O governo colocou a Índia no centro da estratégia de abertura de mercados (feijão e frango no radar) e ampliou a pauta de acesso sanitário e tarifário.
No front do crédito, o governo orientou renegociação do Pronaf para produtores de cebola — fôlego operacional, sem dinheiro novo — e o BNDES fechou R$ 7,5 bilhões em renegociações rurais (40% para Pronaf/Pronamp).

Santa Catarina apareceu forte: o BRDE passou de R$ 800 milhões ao agro em 2025, com projeção acima de R$ 1 bilhão em 2026.

Completam o retrato da semana, a entrada de SC no Programa da Amazônia Azul, a modernização do Zarc pela Embrapa para reduzir risco climático no plantio e o Itaipu Rural Show, em Pinhalzinho (SC), como termômetro de tecnologia e investimento para 2026.

O recado foi claro: menos plenário, mais mercado.

Agro em Alerta

Exportar mais não basta: janeiro mostrou volume em alta e preço apertado — vender é condição, margem é o desafio.

Índia no radar: feijão guandu e frango entram na pauta; sem acordo sanitário e previsibilidade de cotas, o mercado não destrava.

Renegociação não é renda: Pronaf da cebola e os R$ 7,5 bi do BNDES aliviam caixa, não recompõem margem.

Risco climático segue alto: Zarc modernizado ajuda a errar menos; sem seguro rural previsível, o produtor segue exposto.

SC no mapa do mar: Amazônia Azul pode virar renda no litoral — se sair do papel.

Indicadores da Semana

Exportações do agro (jan/2026): US$ 10,8 bilhões (42,8% das exportações do Brasil no mês); volume +7% e receita −2,2% vs. jan/2025; superávit US$ 9,2 bi.

Mercados de destino: China líder; ASEAN ampliou compras; UE e EUA na sequência.

Crédito rural (BNDES): R$ 7,5 bilhões em renegociações; 40% para Pronaf/Pronamp.

Crédito em SC (BRDE): > R$ 800 milhões ao agro em 2025; projeção > R$ 1 bilhão em 2026 (Pronampe Desastres/Leite).

Tecnologia & risco: Zarc (Embrapa) modernizado — decisão de plantio com menos risco climático vira dinheiro no bolso quando o clima aperta.

Radar do Agro — Agenda da próxima semana (23 a 27 de fevereiro)

Congresso: retomada dos trabalhos e volta do Almoço da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), com pauta de seguro rural, crédito, renegociações e mercados.

Executivo/Itamaraty: desdobramentos da agenda com a Índia (feijão, frango; previsibilidade de cotas) e tentativa de reabrir diálogo com Coreia do Sul para carne bovina.

Judiciário (STF): expectativa por movimentações em temas ambientais e regulatórios que impactam o campo (licenciamento e segurança jurídica).

SC: articulação da bancada por infraestrutura rural, sanidade e acesso a crédito; monitoramento da implementação da Amazônia Azul no litoral.

Visão da Semana — “Vender é o verbo. Margem é o problema.”

O pós-Carnaval mostrou o contraste: o agro vendeu mais, abriu radar para Índia e Coreia, reduziu risco com Zarc, ganhou vitrine em Pinhalzinho e fôlego no crédito. Mas margem segue comprimida — e renegociação não vira renda.
A próxima semana recoloca a política na mesa (FPA de volta ao jogo).

O campo já voltou ao trabalho. Agora é a política que precisa acompanhar o ritmo do mercado.

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