
Daqui exatos 30 dias, o prefeito Adriano Silva renunciará ao cargo depois de 1917 dias ou 5 anos e três meses de um governo que é bem avaliado e foi reeleito com 78% dos votos em 2024. Adriano deixa a função por exigência da legislação eleitoral para encarar uma eleição onde não será o protagonista, mas sim um coadjuvante na dobradinha em busca da reeleição do governador Jorginho Mello. Na terra da dança, Adriano faz neste mês seu último ato como prefeito da cidade.
A decisão por disputar a eleição e já definir o seu caminho foi rápida e até surpreendente. Enquanto muitos discutem as estratégias, definem as parcerias e alguns até sem rumo estão, Silva construiu a parceria ao governo do Estado olhando para o futuro.
Adriano ocupa o vácuo de lideranças
Joinville tem carência de novas e importantes lideranças desde a morte do ex-governador Luiz Henrique da Silveira. Ninguém mais se posicionou com protagonista até então e com chances reais de ocupar o espaço. O ex-prefeito Udo Döhler até ensaiou em 2018 depois de ser reeleito à Prefeitura de Joinville, mas não conseguiu enxergar respaldo do seu partido que tinha Mauro Mariani como pré-candidato. Adriano assumiu esse vácuo de liderança, fez um governo tranquilo, executando obras e colocando a cidade novamente no centro do debate político.
Novo busca sobrevivência e deixa de lado convicções
Adriano surgiu no Novo como um contraponto à política tradicional. Com um discurso liberal na economia, conservador nos costumes e com a promessa de um governo técnico entre os secretários. Conseguiu controlar uma renovada Câmara de Vereadores e teve na eleição de 2024 uma vitória avassaladora. Mas o mundo mudou também para o partido Novo. A união com Jorginho Mello é um passo atrás para a sobrevivência partidária. Adriano tem a missão de fazer o Novo conquistar vagas principalmente na Câmara de Deputados e romper a cláusula de barreiras, que se não for atingida novamente pode significar a extinção do partido. Outra missão é tentar eleger uma bancada mais robusta na Assembléia Legislativa composta hoje somente pelo joinvilense Matheus Cadorin.
Mês de despedida e Jorginho cidadão de Joinville

O prefeito vem adotando um discurso quase que de despedida. No dia 9 de março Joinville completa 175 anos. A prefeitura montou uma programação de um mês de atividades, entre elas inaugurações, entregas e homenagens. Dia 6 o governador Jorginho Mello será homenageado na Câmara de Vereadores com o título de Cidadão Honorário de Joinville. Em discurso na semana passada na Associação Empresarial (ACIJ), Adriano já falava em tom de prestação de contas final. Deixa a prefeitura para a vice-prefeita Rejane Gambin. Ela já começa a adotar o seu estilo, participando efetivamente de reuniões e liderando as sempre complicadas negociações com o sindicato dos servidores.
O que virá em 2028 e 2030?
A eleição de 2026 nem iniciou e o que se fala é como ficará as eleições municipais de 2028 e uma possível sucessão do governador Jorginho Mello em 2030. As duas datas vêm à tona com a dúvida ainda não esclarecida se no acordo entre PL e Novo foi colocada na pauta as duas eleições. São muitas variantes ainda na disputa. Primeiro, sem dúvida, precisa ser finalizada a eleição deste ano para depois ver o que vai acontecer em 2028.






