
A despedida de Adriano Silva do comando da Prefeitura de Joinville e a transmissão de posse para a vice Rejane Gambin foi repleta de simbolismos e recados, mesmo os ainda silenciosos – como falamos na coluna da semana passada (ler aqui). Em uma semana repleta de entregas, homenagens e emoções, na quinta-feira (02) a passagem do bastão no comando da prefeitura da maior cidade do Estado teve recados, discursos e algumas ausências relevantes na solenidade.
A escolha na Expoville, principal centro de eventos da cidade, foi estratégia para não deixar a solenidade esvaziada em uma véspera de feriado. Durante a semana foi realizado o Exposervir, uma atividade criada no governo Adriano-Rejane como treinamento e aperfeiçoamento de servidores públicos, e o último dia foi justamente na quinta-feira tendo o grand finale a solenidade de posse.
O evento começou às 18h30 lotado, mas foi perdendo público assim que os discursos longos e cansativos foram invadindo a noite. O governador Jorginho Mello foi o último a discursar para uma Expoville já bem deserta perto das 22 horas. Difícil tirar o ímpeto e o desejo de se manifestar em um ambiente com tamanha representatividade.
Bancada do PL não parece na posse

A transmissão de posse foi uma sessão extraordinária da Câmara de Vereadores e aí que está o ponto principal. Praticamente toda a bancada do PL, partido do governador, não esteve presente. O vereador Cleiton Profeta, maior opositor do governo, não apareceu. A justificativa é óbvia, pois está sendo alvo de uma comissão processante que pede a sua cassação. A ação foi aberta justamente pelo partido da atual prefeita. Outros dois vereadores do PL, William Tonezzi e Instrutor Lucas, também não estiveram na sessão. Outra ausência foi da vereadora petista Vanessa da Rosa, que estava em uma manifestação de moradores do bairro Ulisses Guimarque fizeram protesto na frente da Expoville, local do evento. Brandel Junior, que até a semana passada era do PL e agora trocou pelo Republicanos, estava presente.
Os outros 15 vereadores alinhados com o governo se manifestaram com falas de elogios a Adriano Silva e de apoio para a agora prefeita Rejane Gambin. O tom dos discursos não surpreendeu. Até mesmo o presidente Diego Machado (PSD), que teoricamente pode ter algum movimento de oposição, desejou sorte e que o poder legislativo fará ao máximo para dar governabilidade. “Desejo sorte para a nova prefeita. Em tudo na vida é preciso um pouco de sorte”, disse.
Em discurso, Rejane faz sinalização para a direita e a fé evangélica

O primeiro discurso de Rejane Gambin como prefeita foi repleto de significados e mensagens. Primeiro pela emoção e a exaltação de ser a primeira mulher a comandar a cidade em 175 anos. Para ela, o dia 2 de abril ficará marcado para sempre na história.
Porém, o principal tom do seu discurso e no seu primeiro pronunciamento como prefeita na sexta-feira (3) foi um recado claro para os desconfiados. Rejane quis deixar claro que é evangélica praticante, que congrega na igreja Assembléia de Deus e que é “temente a Deus”. Na platéia estava o principal líder religioso da congregação em Joinville, o pastor Sergio Melfior.
Outro movimento direcionado para o público de direita foi a citação a política venezuelana Maria Corina Machado, principal opositora do regime de esquerda de Nicolás Maduro e aliada do presidente americano Donald Trump. Ao citar Corina, prêmio Nobel da Paz em 2025, Rejane falou de liberdade: “Liberdade não se mendiga, liberdade se conquista”.
Fechou o discurso dizendo que acredita nos princípios da direita. O discurso citando a direita é um recado claro para quem tem dúvidas e coloca a prefeita como uma ex-integrante do governo Carlito Merss (PT). Em 2010, ela trabalhou como gerente na secretaria de Comunicação do petista. Ao carimbar o discurso com referências de direita, Rejane tenta tirar da frente mais uma desconfiança de parte do eleitorado que lhe apoia.
Veja o primeiro pronunciamento da prefeita Rejane Gambin.





