
“Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim
Ó, meu bem, não faz assim comigo, não
Você tem/ Você tem que me dar seu coração” (clique para ouvir)
Em clima de carnaval a marchinha conta a história de alguém que foi descartado e com a rejeição tenta na insistência conquistar alguém, mesmo sem sucesso.
E os sambas clássicos com temática de carnaval estão cheios de decepções amorosas como a letra da música Retalhos de Cetim cantada por Benito de Paula.
“Ensaiei meu samba o ano inteiro
Comprei surdo e tamborim
Gastei tudo em fantasia
Era só o que eu queria
E ela jurou desfilar pra mim
Minha escola estava tão bonita
Era tudo o que eu queria ver
Em retalhos de cetim
Eu dormi o ano inteiro
E ela jurou desfilar pra mim
Mas chegou o carnaval
E ela não desfilou
Eu chorei na avenida, eu chorei
Não pensei que mentia a cabrocha, que eu tanto amei.” (clique aqui para ouvir)
As duas clássicas composições embalam o que tem sido chamado de bloco dos traídos na política de Joinville e Santa Catarina. E tem traição para todos os gostos. Começou com o governador Jorginho Mello que deixou o MDB no meio da avenida, jurando amor e embarcou nos braços do prefeito de Joinville, Adriano Silva. A decepção dói. O MDB recolheu rápido o choro e ainda lambe as feridas. Já procura um novo amor que não seja de carnaval.
A decisão do novo par Jorginho-Adriano não criou só reflexos estaduais. Também houve acusação de traição em Joinville. O PSD começou um relacionamento que parecia duradouro com o partido Novo. Se abraçaram em 2024 para a reeleição do prefeito Adriano e ainda este ano procuraram reforçar os laços para 2026. Porém, o PSD sentiu o golpe fundo de quem “jurou desfilar pra mim”.
Não adianta chorar o amor da colombina no meio da multidão
Na política ninguém tem cadeira cativa. Esse ensinamento serve para o MDB, para Caroline De Toni (PL) ou para o PSD. Não adianta ficar cantando em alto e bom som que “você tem que me dar seu coração”. É preciso reforçar e fazer novo pacto. Política tem regras próprias e em ano eleitoral há vários desdobramentos que se movem conforme a estratégia partidária. Interesses individuais devem, e precisam, ser deixados de lado. E é o que tem em comum entre os traídos MDB e Carol de Toni: o interesse individual.
O que você combinou no passado pode ser mudado, as expectativas são outras, os novos planos surgem e tem que fazer um DR (discutir relacionamento) com frequência. Caso contrário corre o risco de ficar sozinho no meio da avenida ou ficar chorando pelo amor da colombina no meio da multidão (trecho da música Máscara Negra, outra marchinha que também cabe bem que você pode ouvir pra relembrar).
Velhos aliados começam a se distanciar. Diego Machado mostra sinais.

O bloco dos traídos está preparado para entrar na passarela. O Carnaval de Joinville foi antecipado para este último final de semana, 7 e 8 de fevereiro. No palanque do prefeito poucos políticos aliados ou ex-aliados. Estranho em um ano eleitoral ter pouca circulação de pré-candidatos. Na Câmara de Vereadores de Joinville está surgindo um novo bloco que não dará vida fácil ao Novo, principalmente para a nova prefeita Rejane Gambin a partir de 2 de abril.
Silenciosamente é liderado pelo presidente do legislativo Diego Machado (PSD). Ele não esteve no palanque no carnaval (opção legítima), mas sua não presença foi notada na posse da nova direção da Ajorpeme, na última quinta-feira (4), quando o governador Jorginho e Adriano reforçaram para empresários a chapa a reeleição (leia aqui). Diego Machado está insatisfeito. PSD pode virar oposição e articula a filiação de Cleiton Profeta, que tem risco de expulsão do PL. É aquela famosa música da saudosa Beth Caralho: “Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão”. (ouça)
Semana com o Novo em alerta com a especulação de traição
Os últimos episódios alertaram para uma possível nova “traição do PL”. Agora envolvendo Adriano Silva. Na semana passada o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, chegou a oferecer a vaga de vice para a deputada Carol De Toni e escanteando Adriano Silva. Já começaram as especulações, muita fumaça, muita previsão antecipada. Na posse da nova diretoria da Ajorpeme em Joinville, Jorginho e Adriano reafirmaram a parceria para a eleição. O governador limitou-se a dizer “está tudo certo”. Já o prefeito assustou-se com tamanho barulho. “A parceria continua e nada muda. Estou convicto da decisão acertada”, disse ao colunista.
Expulsão de Profeta vai entrar em compasso de espera
A expulsão do vereador Cleiton Profeta vai entrar numa espécie de quarentena pós-carnaval. O presidente do PL municipal, o deputado Maurício Peixer, considera que o partido deva esperar os desdobramentos. Profeta agora força a expulsão ou uma carta do partido para não perder o mandato e poder se filiar ao PSD. Ele tem o convite da cúpula do partido e garantia de sair candidato a deputado federal. O PSD vai cozinhar. Profeta, que não gosta de Carnaval, canta mesmo assim a marchinha “Ó, abre alas, que eu quero passar”.
Vice-governadora de Joinville fica no governo e não concorre.

A vice-governador Marilisa Bohem não será mais candidata em 2026. O anúncio foi feito durante o evento da Ajorpeme, o primeiro que tradicionalmente reune as principais lideranças no ano. O governador Jorginho Mello disse que Marilisa ficará n governo para ajudar a governar na sua ausência para percorrer o Estado em campanha eleitoral. É possível que Jorginho se afaste por um longo período, talvez férias no período mais crucial da campanha. A vice-governadora era um nome praticamente certo para concorrer uma vaga na Assembléia Legislativa. Não será candidata, mas tem previsão de assumir cargo importante em caso de reeleição. Para encerrar em alto estilo um trecho do samba do mestre Jorge Aragão também referente ao carnaval:
“Agora sei
Desfilei sob aplausos da ilusão
E hoje tenho esse samba de amor por comissão
Finda o carnaval
Nas cinzas pude perceber
Na apuração perdi você”





