
O ano político começa nesta segunda-feira em Joinville e repleto de desafios e dúvidas de como será a postura entre o poder executivo e o poder legislativo em 2026. Os trabalhos na Câmara de Vereadores iniciam com novo horário de funcionamento, pelo menos 11 dos 19 vereadores pré-candidatos nas eleições deste ano e daqui dois meses uma nova relação com a futura prefeita Rejane Gambin.
Não será um ano fácil para o legislativo joinvilense. Nesta segunda, às 10 horas, na primeira sessão, mesmo com o clima ameno de volta aos trabalhos, muitas movimentações nos bastidores nortearão as relação entre os dois poderes.
O ano começou quente na política joinvilense. O que estava calmo entrou em erupção com a decisão do prefeito Adriano Silva de renunciar a prefeitura para disputar a eleição de 2026 como candidato a vice na chapa à reeleição do governador Jorginho Mello. A notícia mexeu no que estava aparentemente controlado, principalmente na relação com partidos aliados como o PSD, do presidente da Câmara de Vereadores Diego Machado, que agora está na iminência de ser uma oposição estadual com a bancada local totalmente afinada com a administração municipal. A missão de Machado é ter relação institucional e de equilíbrio pelo menos até a chegada da eleição. Tende a ficar neste primeiro momento na base de apoio do prefeito, mas decisões partidárias podem mudar o rumo da então harmonia entre Diego Machado e o governo Adriano.
Decisão estadual e impacto local
A decisão do prefeito colocou Joinville no epicentro da política. Os reflexos locais ainda estão sendo estudados, mas muita gente está congelada em saber qual caminho adotar. Além da relação de Diego Machado, o PSD estadual faz movimentações fortes como tentar filiar o vereador Cleiton Profeta, hoje no PL, o maior oposicionista ao governo municipal. (leia aqui a notícia) Essa articulação que envolve a cúpula do partido é vista como o ponta pé inicial para o rompimento. PSD se sentiu traído e vai pro ataque mesmo que a bancada de vereadores sinta-se desconfortável na missão.
MDB de Joinville é alinhado com Adriano e com Jorginho Mello
Também considerado traído na união das direitas em Santa Catarina, o MDB é o partido que mais se coloca em situação ambigua. Vereadores Henrique Deckmann, Adilson Girardi e Pelé são afinados com o governo municipal, já o deputado Fernando Krelling tem laços estreitos com o governo estadual de Jorginho Mello. Enquanto localmente está tudo em casa, o MDB estadual busca alternativa como candidato próprio ou, o mais provável, aliar-se ao projeto do prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD).
PL deve sair da oposição, mas enfrenta resistência na base
A primeira mudança e observação sobre o comportamento na Câmara de Vereadores de Joinville é sobre o PL. Até então o principal partido de oposição a Adriano Silva agora vê-se neste início de legislatura como aliado. O presidente local do PL, o deputado Maurício Peixer, é o mais confortável na situação. Com relações pessoais com a família Silva, o político ganha protagonismo nos dois governos. Mas na bancada na Câmara a situação é complicada. Cleiton Profeta é o mais radical adversário político. William Tonezi também é crítico e espera-se um comportamento mais moderado a partir de agora. Os outros dois vereadores Instrutor Lucas e Brandel Júnior sempre tiveram relação harmônica com o governo.
Dúvida será a relação com a futura prefeita

A mudança de horário das sessões da Câmara de Vereadores, que passou do início às 17 horas para 10 horas, não é o fato mais importante deste início de ano. O que vai mudar é o humor e a relação com o governo neste ano de eleição estadual. A principal questão ainda está por vir. Com a renúncia de Adriano Silva em 2 de abril, como Câmara de Vereadores se comportará com a nova prefeita Rejane Gambin? O atual prefeito deixa o governo em sintonia completa com o legislativo, mas as mudanças de rumo político e interesses em 2026 e, principalmente, mirando na sucessão em 2028 serão os norteadores se o ambiente será de tensão ou de paz.






