Os 520 mil estudantes que voltaram às aulas nas escolas estaduais, nesta semana, foram recebidos com uma novidade muito aguardada: a sala de aula, agora, está climatizada.
É que o retorno às aulas na rede pública, em 2025 escancarou um problema que todos sabiam que existia, mas cuja dimensão ainda era desconhecida: a precariedade das estruturas físicas das escolas estaduais de Santa Catarina. Justamente na semana de volta às aulas, o Estado enfrentou uma onda de calor histórico, e os alunos sentiram na pele o desconforto de estudar em salas onde, muitas vezes, havia apenas um ventilador.
Um exemplo disso aconteceu em Criciúma, na Escola Sebastião Toledo dos Santos, onde alunos chegaram a levar toalhas molhadas para a sala de aula na tentativa de amenizar o calor. Dias depois, os estudantes organizaram um protesto durante uma visita do governador Jorginho Mello na cidade, poucos dias após a volta às aulas, para pedir melhorias na escola. Jorginho prometeu que melhoraria as instalações das unidades estaduais.
Naquele momento, a pressão pública por uma solução para o problema, rapidamente virou pressão política que pedia mudança no comando da Secretaria de Estado da Educação. Em meio ao debate, um nome sobressaiu de forma natural: Luciane Ceretta.
Ela havia acabado de ser reeleita reitora da Unesc (Universidade do Extremo Sul Catarinense), era presidente da Acafe e conselheira nacional de Educação Superior, funções de grande responsabilidade, mas nada comparado ao desafio de gerir uma das pastas mais complexas da administração pública.
A pressão deu resultado e, em maio daquele ano, Luciane Ceretta foi convidada e aceitou assumir a Secretaria de Estado da Educação.
Quando foi eleita presidente da Acafe, os mais atentos já percebiam que o caminho natural poderia levá-la ao cargo que ocupa atualmente. Além disso, Luciane participou diretamente da elaboração do programa Universidade Gratuita, iniciativa pioneira no Brasil para ampliar o acesso à educação superior, com foco em estudantes de menor renda. O programa conta hoje com 57 mil alunos matriculados em universidades comunitárias do Estado.
Entre os desafios que encontrou ao assumir a Secretaria, um se destacava: ela tinha pouco mais de seis meses para garantir que, no início das aulas deste ano, todas as salas das escolas estaduais de Santa Catarina tivessem ar-condicionado instalado e funcionando. Mas a corrida não era apenas contra o tempo. Entraves logísticos se somavam a outros problemas estruturais: paredes descascadas, infiltrações e rede elétrica sem cabeamento adequado. Antes de instalar os aparelhos, foi preciso adaptar a infraestrutura elétrica de diversas unidades. Uma corrida contra o tempo, acompanhada de perto por todos que ouviram a promessa de que a educação pública do Estado receberia a atenção devida.
Nesta quinta-feira, o governador Jorginho Mello e Luciane Ceretta receberam a imprensa na Casa d’Agronômica para prestar contas do trabalho da Secretaria. A data coincidiu com a semana de volta às aulas nas escolas estaduais de Santa Catarina.
Entre os avanços apresentados, Luciane anunciou que as 1.038 escolas estaduais de Santa Catarina iniciariam o ano com salas climatizadas, o anúncio mais aguardado pela rede pública ao longo do último ano. Além disso, a Secretaria informou que, até meados de junho, todas as escolas terão o serviço de videomonitoramento 100% em operação.
Voltando no tempo para fazer justiça aos fatos: Luciane não chegou ao cargo por acaso. Com mais de 30 anos de experiência como professora, tornou-se referência em uma das áreas mais sensíveis de qualquer gestão pública: a educação.
Para além da experiência em sala de aula, a galega do Sul tem reconhecida capacidade de gestão. E quem sabe gerir, sabe liderar equipes, projetos ou, neste caso, uma das secretarias mais questionadas de Santa Catarina nos últimos anos.
Priorizar uma educação de qualidade, com escolas bem equipadas e professores engajados, muda o futuro de uma geração inteira. As intrigas políticas, ao menos por hoje, deveriam ficar em segundo plano. E só está surpreso com o resultado quem não a conhecia antes da Secretaria. A partir de agora, ao contar a história da Educação em Santa Catarina, será preciso falar o nome de Luciane Ceretta.





