26/02/2026

Em nome do Pai, do Filho e do … Afinal, quem tirou a vaga de Amin?

O dia 25 de fevereiro de 2026 vai ficar registrado na memória do senador Esperidião Amin como o dia em que ele entendeu que, para Jair Bolsonaro, “amigos, amigos, política à parte”. De ungido com a bênção da preferência do ex-presidente para uma das vagas ao Senado a sem lugar na chapa de Jorginho, Esperidião teve uma quarta-feira digna de ser esquecida.

O dia de ontem expôs uma pergunta de bastidor que rondava a casa do Progressistas há tempos: será que a vaga firmada no acordo nacional entre PL e PP seria mesmo de Amin, em Santa Catarina?

Antes mesmo da entrevista oficial após a reunião entre a cúpula do partido, ontem, em Brasília, Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente, mas, antes, colega de Senado de Esperidião, foi o escolhido para dar a ele a notícia de que: “valeu, muito obrigado, mas aqui é uma questão de família. O senhor me entende, né?”

A conversa fatídica foi confirmada por Flávio, em outra entrevista ontem pela manhã, quando disse que falou com Amin e explicou a ele que “na política é assim que funciona”. Flávio não estava errado. Nada do que aconteceu ontem está fora de ordem, se for analisar sob a perspectiva do PL, já que o partido priorizou “os seus”.

Partindo, ainda, da premissa de que Jair Bolsonaro também priorizou os seus (filhos), toda a configuração do partido para as eleições deste ano contempla os filhos de Jair e sua esposa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, anunciada pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal.

Carlos e Michelle irão ao Senado; Jair Renan é pré-candidato a deputado federal (mas só vai a federal porque pedir as duas vagas ao Senado em SC poderia ser um pouco exagerado); Flávio é pré-candidato a presidente. A única incógnita nisso tudo ainda é Eduardo Bolsonaro, que enfrenta alguns percalços com a Justiça e, por enquanto, não tem previsão de volta ao Brasil. Como a legislação vigente não permite votação ou mandato à distância, ele talvez permaneça sem mandato.

Voltando ao Esperidião. Em 1º de outubro do ano passado, o senador visitou Jair em casa, pois, naquele momento, o ex-presidente ainda cumpria prisão domiciliar. Na saída, concedeu entrevista e foi questionado sobre o que Bolsonaro lhe disse sobre sua pré-candidatura ao Senado. Amin respondeu que Bolsonaro “disse o suficiente para confirmar que eu sou amigo dele e ele é meu amigo”. Nenhuma palavra além disso.

A promessa de que Amin ficaria com uma das vagas foi dita publicamente pelo presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto, em mais de uma oportunidade. Também ontem, depois de todo esse desenrolar público dos fatos, o senador catarinense mais uma vez foi perguntado sobre o assunto.

Visivelmente intisicado, Amin deu uma resposta que soou como indireta a quem interessar possa. “Sou candidato DE Santa Catarina, POR Santa Catarina e PARA Santa Catarina”, disparou. Só não disse “por toda Santa Catarina” para não correr o risco de ver Luiz Henrique da Silveira cobrando direitos autorais pela frase.

Embora o que conte mesmo seja o prazo final das convenções, em agosto, a foto divulgada ontem deve ser confirmada na eleição.

E sobre a amizade de Amin e Jair, o tempo vai dizer como (e se) ela poderá ser rearranjada.

Amin e Bolsonaro, nos tempos em que ainda não havia entre eles, uma vaga ao Senado em jogo.

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