A entrevista recente da senadora Tereza Cristina (PP-MS) à Veja, pode impactar diretamente os planos do senador Esperidião Amin (PP-SC) para 2026. Para entender o momento atual, é preciso voltar alguns meses e observar como o Progressistas em Santa Catarina chegou a um cenário de divisão interna. Hoje, parte do partido defende a reeleição de Jorginho Mello (PL), enquanto outra ala trabalha por uma aliança com João Rodrigues (PSD).
Em maio de 2025, durante entrevista à Rádio Som Maior, (leia aqui), Amin sinalizou que a tendência do PP era apoiar a reeleição de Jorginho, já que o partido integrava (e continua integrando) a base governista. Naquele momento, esse era o caminho natural. O cenário começou a mudar em junho, quando surgiram as primeiras informações de que Jair Bolsonaro teria dito ao governador que uma das vagas ao Senado, em sua chapa, seria destinada ao filho, o então vereador carioca, Carlos Bolsonaro.
Em setembro, o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, reafirmou que uma das vagas seria de Carlos e a outra, de Esperidião Amin, com o aval de Bolsonaro, em razão da amizade entre eles. Com isso, o senador catarinense passou a contar com uma espécie de “garantia informal” de espaço na chapa do atual governador. Porém, a partir daí, no entanto, houve uma inflexão: Amin reduziu os acenos ao governo do Estado e passou a adotar uma postura neutra, sempre que questionado sobre a eleição para o governo.
O cenário voltou a tensionar em outubro, quando a deputada estadual Ana Campagnolo (PL) alertou que um acordo nacional entre PL e PP (que ninguém havia falado até então), formaria uma a chapa ao Senado com Carlos Bolsonaro e Esperidião Amin, deixando de fora a deputada federal Carol de Toni, que vinha se destacando nas projeções eleitorais. Em novembro, diante dessa possibilidade, Carol passou a ser sondada por outras siglas, já que poderia ficar sem espaço no PL.
Já em fevereiro de 2026, diante da pressão pela eventual saída de Carol do PL, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato a presidente, disse a Amin que as vagas ao Senado em Santa Catarina devem ficar com Carol de Toni e Carlos Bolsonaro. Com isso, Amin ficaria sem espaço no projeto bolsonarista, ao qual esteve bastante próximo nos últimos anos.
Em março, o senador catarinense passou a adotar um tom mais crítico, mas deixou claro que não pretende disputar o Senado de forma isolada. É nesse ponto que a movimentação recente de Tereza Cristina ganha destaque. Após a entrevista de Tereza Cristina à Veja, Valdemar afirmou que conversou com a senadora e que ela não pretende ser candidata a vice, mas deve atuar fortemente na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Caso o PP nacional embarque nesse projeto, a tendência é que os diretórios estaduais sigam a mesma linha, o que empurraria o PP catarinense para junto de Jorginho.
Esse contexto nacional colide diretamente com o movimento de Amin no Estado.
Nas últimas duas semanas, o PP de Santa Catarina protagonizou uma sequência de episódios que escancaram a divisão interna. O primeiro ato ocorreu no dia 16 de março, em reunião da executiva estadual, em Florianópolis, que deliberou pelo apoio à reeleição de Jorginho. No dia seguinte, Amin assumiu a presidência estadual do partido, substituindo Leodegar Tiskoski. No ambiente político, o encontro foi tratado como simbólico, já que o PP está federado ao União Brasil e não pode deliberar isoladamente.
O segundo ato veio na semana seguinte, em um movimento mais robusto. Lideranças como os deputados estaduais Pepê Collaço e Zé Milton organizaram um evento com a presença de aproximadamente 40 prefeitos, além de vereadores e filiados, para reforçar o apoio a Jorginho, presente no encontro. A leitura foi de que o evento teve peso político importante.
O terceiro ato, no entanto, foi em direção oposta. Na quinta-feira (26), Amin participou de uma reunião com lideranças de MDB, PSD e União Brasil para discutir uma possível aliança em torno da candidatura de João Rodrigues ao governo. Ao final, esteve em coletiva ao lado de João e de Carlos Chiodini (MDB), sinalizando o interesse em levar o PP para essa composição.
Nesse contexto, Amin se vê dividido entre dois caminhos: de um lado, um cenário nacional que pode empurrar o PP para a órbita de Jorginho Mello; de outro, a tentativa de construir, no Estado, uma alternativa ao lado de João Rodrigues que lhe garanta espaço na chapa ao Senado.
Sem espaço assegurado no projeto bolsonarista e sem disposição para uma candidatura isolada, Amin busca uma composição que viabilize sua reeleição, sua preocupação número um, no momento. Além de precisar conduzir as articulações do aprtido, o senador agora precisa conduzir sua própria sobrevivência política.
Por enquanto, o projeto de reeleição de Esperidião Amin parece ser o único ponto em que os progressistas não divergem. O apoio ao nome do senador catarinense é irrestrito entre os integrantes do partido e toda a base do partido. Já quanto a eleição para o governo do estado, Amin talvez tenha de desfritar o ovo frito por 40 prefeitos de seu partido, dispostos a continuar apoiando a reeleição do atual governador.






