18/02/2026

Após mais um feminicídio, Paulinha defende a criação de protocolo estadual de proteção às mulheres

A tribuna da Assembleia Legislativa de Santa Catarina foi tomada pela emoção nesta quarta-feira. Com a voz embargada, a deputada estadual Paulinha (Podemos) falou sobre a morte de Priscila Dolla, de quem era próxima. Priscila tinha 37 anos, era mãe, moradora de Rio Negrinho e foi vítima de feminicídio na noite de terça-feira, após ser morta pelo ex-companheiro.

“Eu encontro até dificuldade para falar, porque esse caso remete a uma dor que eu conheço”, iniciou. Segundo a deputada, Priscila “pediu para não ser morta”. Ela deixou um filho de 17 anos e os pais, seu Antônio e dona Rose, produtores de leite na cidade. “Em nenhuma hipótese essa família foi preparada para a violência sofrida neste dia”, lamentou.

Em sua fala, Paulinha defendeu que Santa Catarina precisa avançar da indignação para a ação concreta. “Está mais do que na hora de transformarmos essa indignação, que é acolhida em cada lar, nas famílias de esquerda e de direita, em ações reais que evitem que essa verdadeira epidemia de violência contra a mulher continue”, afirmou.

A deputada citou dados da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo os quais, a cada dez minutos, uma mulher é assassinada no mundo. No Brasil, são quatro por dia. Mas ponderou: “Eu abro mão das estatísticas para dizer que o feminicídio não começa como homicídio. Ele começa muito antes”.

Ações concretas do pacto pelo fim da violência contra a mulher

De acordo com a parlamentar, o ciclo que muitas vezes termina em morte se inicia na violência psicológica, na agressão física ignorada, na medida protetiva que demora e no boletim de ocorrência que não se converte em acompanhamento efetivo. Por isso, ela anunciou que irá propor a construção de um novo protocolo de ação no Estado.

“Lei por lei, nós já temos muitas. O que salva vidas é a execução das leis, é a estrutura, é o protocolo claro, é a resposta rápida”, declarou.

Entre as medidas defendidas, Paulinha afirmou que irá propor proteção imediata para mulheres em alto risco, especialmente nos casos em que a concessão de medida protetiva encontra entraves burocráticos. Também defendeu a criação e ampliação de uma rede real de acolhimento, com mais casas-abrigo para mulheres e filhos, além do fortalecimento das equipes investigativas e das Delegacias da Mulher, que, segundo ela, ainda são insuficientes no Estado.

A parlamentar ainda destacou a necessidade de ações efetivas de prevenção, com debate sobre violência nas escolas e nas famílias, e a importância de melhor aproveitamento dos dados do Observatório da Mulher da Alesc para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

A deputada também criticou a desproporcionalidade das penas aplicadas em casos de feminicídio, defendendo maior rigor na responsabilização dos agressores.

“Muitas mudanças competem ao Congresso Nacional. Mas aquilo que puder ser feito com o nosso esforço em Santa Catarina, nós temos que fazer”, disse.

Ao final do pronunciamento, Paulinha deixou uma mensagem direta à família da vítima e à comunidade de Rio Negrinho: “Eu quero deixar o meu abraço sentido ao senhor Antônio, à dona Rose, a todo o povo de Rio Negrinho que não merecia essa dor. Especialmente a essa mulher tão querida e corajosa que implorou pela vida e não foi ouvida. Por vocês, nós vamos trabalhar com mais firmeza para evitar que novos casos como esse se repitam”.

Deputada Paulinha (Podemos). Foto: Bruno Collaço/AgênciaAL

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