A filiação da ex-deputada Angela Albino ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), marcada para esta quinta no Hotel Castelmar, em Florianópolis, reforça o desenho de uma chapa de esquerda para outubro em Santa Catarina.

A frente já reúne Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) — federado com o PT — e Solidariedade. O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) ainda mantém indefinição, embora tenha anunciado o vereador Afrânio Boprécomo pré-candidato ao governo.
Além de Angela, é aguardada no PDT a filiação do ex-senador Dario Berger, atualmente no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Ele é cotado para disputar uma das vagas ao Senado ao lado de Décio Lima (PT). Berger evita confirmar a movimentação, mas a nomeação de seu irmão, Djalma Berger, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para a diretoria da Itaipu Binacional, intensificou as especulações.
Se o cenário se confirmar, o ex-deputado Gelson Merísio — hoje no Solidariedade e possivelmente a caminho do PSB — seria candidato ao governo, com Angela Albino como vice. Décio Lima e Dario Berger disputariam o Senado
Angela Albino e Merísio já foram aliados

Em 2014, Angela disputou vaga à Câmara Federal pelo PCdoB na coligação “Santa Catarina em Primeiro Lugar”, liderada por Raimundo Colombo (PSD), reeleito governador ao lado de Eduardo Moreira (PMDB).
Na mesma coligação, foi eleito deputado federal o atual governador Jorginho Mello, então no PR.
Angela obteve 87.954 votos, ficando na segunda suplência. O primeiro foi Edinho Bez, do MDB.
Posteriormente assumiu mandato na Câmara entre 2015 e 2017 e também foi secretária de Desenvolvimento Social no governo Colombo. Já Merísio foi o deputado estadual mais votado daquela coligação.
Em 2018, os caminhos se cruzaram novamente: Merísio concorreu ao governo e perdeu no segundo turno para Carlos Moisés, enquanto Angeladisputou a Câmara Federal e teve desempenho bem inferior ao de 2014, com pouco mais de 22 mil votos.
Em 2012, ambos estiveram em lados opostos na eleição municipal de Florianópolis: Angela foi candidata a prefeita; Merísio apoiou Cesar Souza Junior, eleito ao derrotar Gean Loureiro no segundo turno.
Dario e a esquerda em 2022
Em 2022, Dario Berger, então no PSB, integrou a frente de esquerda. Era cotado ao governo, mas concorreu ao Senado, enquanto Décio Lima disputou o Executivo estadual. Merísio não foi candidato, mas atuou na articulação e coordenação da campanha.
A eleição marcou a primeira vez que um candidato identificado com a esquerda chegou ao segundo turno em Santa Catarina, ampliando o espaço político desse campo no Estado.
Um palanque heterogêneo
Caso a composição se confirme, a chapa reunirá lideranças que já transitaram por diferentes espectros ideológicos e alianças eleitorais. O desafio será harmonizar trajetórias diversas sob um discurso comum, capaz de consolidar um campo político competitivo em um Estado historicamente resistente à esquerda.
A consolidação — ou não — desse arranjo dependerá das definições partidárias nas próximas semanas, especialmente da decisão do PSOL e da confirmação oficial das filiações aguardadas.







