10/03/2026

Jorginho Mello busca eleição “morro abaixo”

O governador Jorginho Mello (PL) trabalha para transformar a eleição de outubro em uma disputa “morro abaixo” — expressão consagrada pelo ex-governador Luiz Henrique da Silveira para definir campanhas que se tornam praticamente inevitáveis ao longo do percurso.

Os sinais, até aqui, são favoráveis ao governador. Com popularidade elevada — pesquisa do Instituto Mapa indica mais de 65% de avaliação entre ótimo e bom — e um desenho preliminar de chapa já colocado na mesa, Jorginho atua para ampliar sua base e reduzir o espaço dos adversários.

A estrutura inicial está montada: o prefeito de Joinville, Adriano Silva, como candidato a vice, e duas candidaturas ao Senado com forte apelo ao eleitor bolsonarista — a deputada federal Caroline de Toni e o vereador carioca Carlos Bolsonaro.

Com esse arranjo, o governador consolida seu campo ideológico e tenta garantir mobilização máxima da direita no Estado.

Mas Jorginho sabe que eleição majoritária se vence também na soma de estruturas partidárias. Por isso, trabalha para atrair MDB e a Federação União Progressista (PP e União Brasil). Se não conseguir os partidos inteiros, o plano B é trazer lideranças e parlamentares individualmente — os “CPFs”, como se diz no jargão político.

No MDB, os principais movimentos passam pelos deputados estaduais Fernando Krelling e Jerry Comper — atual secretário de Infraestrutura do governo. Ambos têm presença relevante em regiões estratégicas e ocupam espaços importantes dentro da estrutura estadual.

No União Brasil, o movimento já produziu resultados: os deputados Marcos da Rosa e Jair Miotto já migraram para a base do governo.

Já o deputado Vicente Caropreso, que ensaiava trocar o PSDB pelo União Brasil, recalculou a rota. A tendência agora é filiar-se ao Republicanos ou ao Podemos — ambos partidos alinhados ao campo governista.

No PP, o cenário é dividido. Os deputados José Milton Scheffer e Altair Silva são mais simpáticos ao projeto do prefeito de Chapecó, João Rodrigues. Já o secretário estadual Silvio Dreveck e o deputado Pepê Collaço tendem a permanecer no campo do governador.

Em resumo: se não leva o partido inteiro, Jorginho tenta desmontar as bancadas.

João Rodrigues tenta evitar isolamento

Esse movimento do governo ocorre justamente sobre partidos que também estão no radar de João Rodrigues (PSD), principal nome hoje colocado como alternativa à reeleição do governador. Ele anunciou a renúncia para o próximo dia 21 de março.

Rodrigues já conversou com lideranças de MDB, PP e União Brasil e ofereceu espaço em eventual composição eleitoral. Seu desafio, no entanto, é transformar simpatia política em alinhamento formal.

Nenhuma dessas siglas apresenta consenso interno.

No MDB, uma pesquisa interna mostra divisão: parte da sigla defende candidatura própria, enquanto outra parcela considera mais viável uma composição com João Rodrigues.

Na Federação União Progressista, o deputado federal Fábio Schiochet sempre foi um defensor da aliança com Rodrigues. O mesmo vale para o ex-prefeito de Florianópolis Gean Loureiro, que pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.

No PP, pesa a situação do senador Esperidião Amin. Amin planeja disputar a reeleição ao Senado, mas acabou preterido no desenho inicial do governador, que já reservou as duas vagas para Carol de Toni e Carlos Bolsonaro.

Esse detalhe pode se tornar o principal fator de tensão entre o governo e o PP.

O jogo real

No fundo, o que está em disputa neste momento não é apenas quem apoiará quem.

É quem conseguirá montar primeiro uma coalizão grande o suficiente para transformar a eleição em inevitável.

Hoje, pelas pesquisas e pela máquina do governo, Jorginho Mello larga na frente.

Mas, se João Rodrigues conseguir reunir uma frente de partidos médios e lideranças regionais, a eleição deixa de ser “morro abaixo” e volta a ter curva.

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