
A Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), que completou 40 anos no último dia 1 de abril, tem papel estratégico na consolidação do Estado como um destaque em inovação no Brasil. Nesta entrevista à coluna, o presidente Diego Brites Ramos fala sobre a articulação feita pela entidade nas últimas décadas e dos desafios para garantir o desenvolvimento sustentável do setor.
Ele também faz uma análise sobre o ecossistema de Florianópolis, conhecida como a Ilha do Silício e capital nacional das startups, que vem atraindo os chamados nômades digitais. “Somente em 2025, a cidade recebeu mais de 5,6 mil nômades digitais, representando um crescimento de mais de 200% na comparação com 2018 e gerando um impacto anual de R$ 815 milhões na economia local”, disse.
No aniversário de 40 anos da ACATE, o Observatório da entidade registra 29,3 mil empresas em SC, faturamento total de R$ 42,5 bilhões, mais de 100 mil empregos e 7,75% do PIB catarinense. O que foi decisivo para esse cenário positivo?
Foi a combinação de empreendedorismo com a integração entre empresas, instituições de ensino e poder público, além de investimentos contínuos em inovação e formação de talentos. A ACATE atuou como articuladora desse ambiente, apoiando a criação e a escala de empresas e conectando diferentes atores. Os números do Observatório mostram que Santa Catarina consolidou um modelo de desenvolvimento baseado em inovação, que hoje posiciona o estado como um dos principais polos de tecnologia do Brasil.
A mão-de-obra continua sendo um dos principais desafios para o setor? Como a ACATE está atuando nesse sentido?
A disponibilidade de profissionais segue como um dos principais desafios para sustentar o crescimento do setor. Temos uma projeção de quase 100 mil novas vagas – considerando o período entre 2025 e 2027 -, sendo a maioria para desenvolvedores, o que demonstra a urgência dessa demanda. Santa Catarina já se destaca na formação, estando entre os estados com maior taxa de concluintes em tecnologia, mas ainda precisamos ampliar escala e retenção. Por isso, a ACATE atua com uma estratégia estruturada de formação, que conecta educação e mercado em uma jornada completa, da inclusão digital à formação de lideranças.
Também trabalhamos com uma ampla rede de parceiros, empresas, instituições de ensino e governo, para acelerar a qualificação e aumentar a empregabilidade. Esse esforço é essencial para sustentar um setor que cresce acima da média nacional e que tem papel direto na geração de empregos qualificados e renda, com salários superiores aos de setores tradicionais. Um dos exemplos é o SCTEC, programa do governo de Santa Catarina e da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Inovação, que contou com o apoio da ACATE desde a concepção. Já são cerca de 50 mil inscritos em mais de 80% dos municípios catarinenses.
Florianópolis é referência em tecnologia e inovação, vista como a Ilha do Silício e com o título de capital nacional das startups. Qual o caminho para garantir sustentabilidade para o setor? Os próximos anos tendem a ser promissores?
Florianópolis se consolidou como referência porque construiu um ecossistema maduro, com alta densidade de empresas, forte cultura empreendedora e integração entre inovação, educação e mercado. Hoje, temos uma das maiores densidades de empresas de tecnologia do país, com cerca de 12 negócios por mil habitantes.
Para garantir a sustentabilidade desse crescimento, é fundamental continuarmos avançando em formação e retenção de talentos, infraestrutura, acesso a capital e internacionalização. Também é importante manter o crescimento distribuído pelo estado, com a expansão do setor em regiões como Vale do Itajaí, Serra, Norte, Sul e Oeste, onde estão instalados os polos de inovação da ACATE, fortalecendo a diversificação econômica.
Por quê Florianópolis é um dos principais destinos dos nômades digitais?
Além da qualidade de vida e da forte conexão com a natureza, Florianópolis oferece um ecossistema de inovação ativo, com presença de startups, centros de inovação, universidades e uma comunidade empreendedora bastante consolidada. Isso cria um ambiente onde é possível viver bem e, ao mesmo tempo, trabalhar com conexão global.
Os nômades digitais são profissionais que atuam de forma remota, muitos deles ligados a áreas como tecnologia, design, marketing e produto. Somente em 2025, a cidade recebeu mais de 5,6 mil nômades digitais, representando um crescimento de mais de 200% na comparação com 2018 e gerando um impacto anual de R$ 815 milhões na economia local, nos mostra o Observatório Digital Nomads Florianópolis 2025, realizado pela FounderHaus e DashCity.
São profissionais de 97 países diferentes, a maioria vindos dos Estados Unidos (61%), seguido por Canadá (8%) e Reino Unido (6%). Há estimativas de que a cidade possa receber mais de 15 mil nômades digitais por ano até 2030, com impacto de R$ 1,5 bilhão.
