10/02/2026

PIB desacelera e as feiras podem dar o tom do agro neste ano

Depois de puxar o crescimento do Brasil em 2025, o agro entra em 2026 com o pé mais leve no acelerador.

O PIB do país deve avançar 2,3%, mas a agropecuária cresce só 0,5% reflexo de safra menor após um ano recorde.

Enquanto indústria e serviços ganham espaço, o campo troca euforia por cálculo fino: margens mais apertadas, crédito caro e mais seletividade no investimento.

É nesse cenário que começa a temporada de feiras, com produtores testando tecnologia, bancos testando apetite por crédito e o mercado tentando contornar a retração.

No meio desse jogo de expectativas, Santa Catarina dá duas aulas práticas: mostra como uma ave pequena vira negócio global (codorna) e como investir em educação agrotécnica é política pública de competitividade, não gasto. Menos hype, mais estratégia.

PIB: agro sustenta 2025, desacelera em 2026

O governo projeta crescimento do PIB de 2,3% em 2026, com a agropecuária avançando 0,5%. Em 2025, o campo foi o motor que segurou a economia — safra recorde, mais leite, mais abate, mais produção.

Agora, a conta muda: milho e arroz devem cair, bovinos entram em fase de retenção de fêmeas, e a base de comparação é pesada.
Indústria (petróleo e minério) e serviços tendem a ganhar protagonismo no crescimento de 2026. Tradução para o produtor: o agro sai do volante, mas continua no banco da frente com menos fôlego para errar.

Temporada de feiras começa com cautela

Com juros altos, endividamento e crédito seletivo, as feiras entram em 2026 tentando vender tecnologia num ano de margens mais apertadas.

O calendário já está rodando:

1) Show Rural Coopavel — Cascavel (PR)
📅 9 a 13 de fevereiro | 📍 Cascavel (PR)
Primeira grande vitrine do ano. Expectativa de negócios abaixo de 2025, mas com forte presença de bancos e cooperativas testando apetite por crédito.

2) Dia de Campo da Cravil — Rio do Sul (SC)
📅 111 a 13 de fevereiro | 📍Polo Tecnológico da cooperativa, Lontras (SC)
Maior evento do setor agropecuário de Santa Catarina que ocorre na região do Alto Vale do Itajaí.

3) Itaipu Rural Show — Pinhalzinho (SC)
📅 18 a 21 de fevereiro | 📍 Parque de Difusão de Tecnologias da Cooperitaipu, Pinhalzinho (SC)
Principal feira do agro catarinense, com foco em grãos e produção animal. Termômetro de como o produtor de SC vai atravessar 2026.

4) Show Tecnológico Copercampos — Campos Novos (SC)
📅 24 a 27 de fevereiro | 📍 Campos Novos (SC)
Debates técnicos, clima, pecuária e gestão leitura fina para quem está replanejando investimento.

Clima das feiras em 2026:
Organizadores falam em estabilidade a retração nos negócios. O Show Rural projeta volume menor que 2025; a indústria de máquinas vê crescimento tímido; bancos apostam em operações mais seletivas.

Vai ter negócio não vai ter euforia.

SC transforma codorna em negócio global

Santa Catarina virou referência nacional em um nicho que pouca gente olha: é o único estado brasileiro que exporta carne de codorna em escala industrial e ainda mantém forte demanda interna. A cadeia integrada impressiona:

  • 44 mil ovos por incubação
  • 17 mil aves abatidas por dia
  • 40 toneladas/mês de carne
  • 50% exportado para 10 países
  • Planta com inspeção federal e selo halal
  • Logística via porto de Itajaí
  • Cadeia integrada do matrizeiro ao frigorífico, com biosseguridade e padronização

No campo, tecnologia e escala; na indústria, certificação; no mercado, gastronomia e exportação.

É o tipo de agro de valor agregado que o Brasil vive dizendo que quer e Santa Catarina já entrega.

Educação no campo: SC investe R$ 17,6 milhões nas Casas Familiares Rurais

O governador Jorginho Mello lançou o Programa de Fortalecimento do Ensino Agrotécnico das Casas Familiares Rurais, com investimento de R$ 17,6 milhões.

A Epagri passa a gerir as 11 Casas em parceria com a Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina (SED) e prefeituras.
Hoje, as unidades atendem cerca de 650 estudantes de mais de 60 municípios.

Para o governador Jorginho Mello, quando se investe em educação, não é despesa.

“As Casas Familiares estavam aquém do que poderiam ser. Queremos que o jovem fique na agricultura – as pequenas propriedades deram certo em SC e é esse modelo que queremos manter”, destacou.

O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária de SC, Admir Dalla Cort reforça: “além de ampliar o conhecimento técnico, os jovens podem colocar projetos em prática nas propriedades, com apoio de linhas de financiamento e políticas públicas para gerar renda e permanência no campo.”

A Epagri entra com gestão pedagógica, modernização de laboratórios, assistência técnica às famílias e integração ensino–pesquisa–extensão, atacando o nó da sucessão rural. Política pública que dá retorno no médio prazo e competitividade no longo.

Menos euforia, mais precisão

Com o agro desacelerando no PIB, 2026 cobra precisão: investir melhor, vender melhor e produzir com mais valor por hectare.

As feiras vão testar o pulso do crédito.

Santa Catarina mostra que valor agregado e educação fazem diferença na planilha.

O recado é simples: acabou o tempo da colheita fácil agora é gestão fina ou margem some.

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