26/02/2026

Mercosul–UE na mesa, seguro no vermelho e o agro pedindo régua no acordo

Mercado grande, proteção pequena

Brasília acordou com pauta internacional e conta doméstica.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) abriu a semana discutindo o acordo Mercosul–União Europeia (UE), com relator na mesa, bancada em alerta e salvaguardas na ponta do lápis.

No mesmo encontro, o agro voltou a cobrar seguro rural previsível e solução para endividamento – enquanto Washington muda a alíquota da tarifa, e o setor se reúne para desenhar 2026 no Welcome Agro.

Agenda global, risco local e a Política e Agro conferiu tudo isso, bem de perto.

Mercosul–UE: a FPA quer acordo com defesa comercial na mão

A FPA recebeu na terça-feira, 24, o relator do acordo na Câmara, deputado Marcos Pereira (Republicanos–SP).

O clima foi de “sim ao comércio, não ao cheque em branco” e a Coluna Política & Agro esteve presente.
O presidente da FPA, Pedro Lupion (Republicanos–PR), apoiou a escolha do relator e deixou o recado: o acordo não pode retirar do produtor brasileiro a capacidade de dominar mercados.

A leitura da bancada é que a UE entra com salvaguardas unilaterais (gatilhos baixos para abrir investigações quando importações sobem 5% e preços caem 5%), enquanto o Mercosul ainda não tem contrapartida formalizada.
A senadora Tereza Cristina (PP–MS) reforçou a cautela: não é contra o acordo, mas alertou que a régua europeia é baixa e cadeias sensíveis podem sofrer se o Brasil ratificar sem “rede de proteção”. Sugeriu coordenar o calendário com outros acordos (como Mercosul–EFTA), para não assinar um “estreito” sem travas.
O relator, Marcos Pereira, assumiu o compromisso de levar as preocupações do agro ao Executivo e de construir contramedidas internas para resguardar o setor. Lembrou que o Parlamento ratifica ou rejeita acordos, mas pode recomendar salvaguardas ao governo.
Nos bastidores, a FPA pressiona por decreto do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) com salvaguardas brasileiras antes da ratificação, para evitar que a UE aplique suas travas sem o Brasil ter o espelho regulatório.
A deputada Daniela Reinehr (PL–SC), em entrevista exclusiva à coluna, resumiu o tom da bancada: o acordo é porta aberta, desde que o texto proteja o mercado e o produto nacional. “Estamos unidos e vigilantes para que as salvaguardas garantam condições reais ao nosso agro e ao Brasil”, disse.

Status: o relator indicou que a Câmara pode votar ainda nesta quinta-feira, com articulação para que o governo publique as salvaguardas nos próximos dias.

Endividamento, crédito e seguro rural: a conta que não fecha

Na mesma reunião, a FPA voltou ao tripé que trava a próxima safra: endividamento, acesso a crédito e seguro rural.
Hoje, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) trabalha com R$ 1,01 bilhão.

A proposta preliminar do governo aponta salto para R$ 4,5 bilhões/ano para a camada obrigatória podendo chegar a R$ 10 bilhões com coberturas adicionais, com recursos remanejados do Proagro.
Pedro Lupion reforçou que a FPA segue sendo consultada sobre endividamento, seguro e Plano Safra: “é preciso dimensionar o problema e construir soluções no Congresso. Sem blindar o orçamento do seguro, a crise vira rotina”.
Tereza Cristina amarrou o tema ao PL 2951/2024 (Fundo de Catástrofe): sem resseguro internacional, não há seguro robusto.
Na ponta, produtores relatam burocracia e custo do crédito; a FPA empurra a plataforma de crédito positiva para reduzir assimetria de informação e ampliar acesso.
Tradução: sem seguro previsível, o crédito encarece; sem crédito, o seguro não escala. O ciclo é vicioso.

EUA: tarifas globais em 10% por 150 dias – carne e suco de laranja fora

As tarifas globais dos Estados Unidos entraram em vigor no dia 24, com alíquota de 10% por 150 dias, após idas e vindas na Casa Branca e freio judicial.

O decreto isenta carne bovina, tomates, itens de açaí, laranjas e suco de laranja – alívio para cadeias brasileiras expostas ao mercado norte-americano.
A leitura do agro é pragmática: previsibilidade curta ainda é incerteza. A janela ajuda no curto prazo, mas o setor segue com contratos cautelosos.

Welcome Agro 2026: o setor desenha a transição estratégica

O Welcome Agro 2026, do Grupo Mídia, reuniu na segunda, dia 23, em Brasília, lideranças empresariais, executivos, autoridades públicas e representantes setoriais para debater tendências, políticas públicas e cenários econômicos que direcionarão o agro ao longo do ano.

A Coluna Política e Agro também esteve presente e entre os speakers, estavam o diretor de Assuntos Estratégicos da ABIEC, Júlio Ramos; o presidente da Syngenta Proteção de Cultivos no Brasil, Andre Savino; o presidente do Sistema FAESP/Senar, Tirso Meirelles; a deputada federal, Ana Paula Junqueira Leão; o professor doutor, fundador e presidente da DATAGRO, Plínio Mario Nastari; a coordenadora de gronegócios na ApexBrasil, Paula Caminha Soares; o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA, Carlos Goulart e o Vice-presidente do Instituto Goiano de Direito Agrário (IGDA) e sócio do FPTA Advogados, Paulo Augusto Antunes Pimenta, entre outros.


Conteúdo no centro: geopolítica e comércio, tecnologia e conectividade, energia limpa e pegada de carbono, e ambiente de negócios para 2026.

O diagnóstico foi honesto: após 2025 forte em produção e exportações, 2026 será de custos altos, crédito seletivo e risco climático.

Quem atravessa melhor é quem integra produção + mercado + política institucional.

Acordo grande pede defesa grande

Mercosul–UE pode abrir mercado: sem salvaguarda, abre flanco.

Seguro rural promete salto: sem fonte blindada, vira anúncio.

Tarifa dos EUA dá respiro: sem previsibilidade, é anestesia.
O agro topa o mundo, mas desde que o mundo venha com réguas justas.

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